Calote da Venezuela cresce mais de US$ 300 milhões no governo Lula
- Luana Valente

- 11 de jan.
- 2 min de leitura
Dívida bilionária está ligada a financiamentos do BNDES para obras de empreiteiras brasileiras

A dívida da Venezuela com o Brasil voltou a ganhar destaque no cenário econômico e político. Dados oficiais apontam que o montante devido pelo país vizinho encerrou 2025 em US$ 1,856 bilhão, o que representa aproximadamente R$ 10 bilhões. O valor inclui juros de mora e correções, e mostra um crescimento de cerca de US$ 312 milhões apenas durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O calote está diretamente relacionado a empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) durante os governos do Partido dos Trabalhadores (PT). Esses financiamentos foram destinados a obras de infraestrutura em território venezuelano, executadas por grandes empreiteiras brasileiras. Entre os projetos estão a expansão do metrô de Caracas, a construção da Siderúrgica Nacional e do Estaleiro Astialba, todos de grande porte e considerados estratégicos para o governo de Hugo Chávez à época.
A Venezuela, no entanto, interrompeu o pagamento das parcelas contratuais em 2017, ainda durante o governo de Nicolás Maduro. Desde então, a dívida vem acumulando juros e correções, sem que o Brasil consiga receber os valores devidos. O atual governo tenta renegociar os termos, mas enfrenta dificuldades diante da crise econômica e política que assola o país vizinho.
O aumento da dívida reacende o debate sobre os riscos de financiamentos internacionais concedidos pelo BNDES a países em situação de instabilidade. Críticos apontam que os empréstimos, embora tenham beneficiado empreiteiras brasileiras com contratos milionários, deixaram o Brasil exposto a inadimplências de difícil recuperação. Já defensores da política afirmam que os financiamentos ajudaram a internacionalizar empresas nacionais e fortalecer a presença brasileira na América Latina.
Com o calote venezuelano ultrapassando a marca de US$ 300 milhões adicionais apenas no atual governo, o tema deve continuar a gerar repercussões tanto no campo econômico quanto político, especialmente em meio às discussões sobre a responsabilidade do Brasil em relação a empréstimos externos e a necessidade de maior rigor na análise de riscos.




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