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Delegados da PF denunciam cenário ‘atípico’ em inquérito do caso Master



Associação da categoria diz que prerrogativas da classe “vêm sendo indevidamente mitigadas”


Divulgação Banco Master e Antonio Cruz / Agência Brasil
Divulgação Banco Master e Antonio Cruz / Agência Brasil

Delegados da Polícia Federal manifestaram preocupação com o andamento do inquérito que envolve o Banco Master, conduzido sob relatoria do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota divulgada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), a entidade classificou como “manifestamente atípico” o cenário da investigação e afirmou que prerrogativas da classe “vêm sendo indevidamente mitigadas”.


Segundo a associação, decisões recentes do ministro Toffoli determinaram acareações, prazos para buscas e apreensões, além de inquirições fora do planejamento da própria Polícia Federal. Para os delegados, tais medidas representam uma “afronta às prerrogativas” da categoria e geram “legítima perplexidade institucional” diante da condução do processo.


A nota ressalta que a autonomia da Polícia Federal é um princípio fundamental para a condução de investigações de alta complexidade e que qualquer interferência externa pode comprometer a independência técnica da corporação. Os delegados afirmam que o caso Master expõe uma situação inédita, em que a atuação da PF estaria sendo condicionada por determinações judiciais consideradas incomuns e fora dos padrões estabelecidos.


O posicionamento da ADPF também destaca que a categoria acompanha com “alta preocupação” os desdobramentos da apuração e alerta para os riscos de enfraquecimento das garantias institucionais da Polícia Federal. A entidade reforça que a preservação das prerrogativas dos delegados é essencial para assegurar a imparcialidade e a eficácia das investigações criminais.


O caso Master, que envolve suspeitas de irregularidades financeiras e está vinculado à Operação Compliance Zero, já havia gerado atritos entre o ministro Toffoli e a corporação. O magistrado chegou a atribuir à PF “inércia” na abertura da segunda etapa da operação, o que ampliou o mal-estar institucional.


Para os delegados, o episódio representa um precedente preocupante e exige atenção da sociedade e das instituições democráticas. A associação conclui que continuará vigilante em defesa da autonomia da Polícia Federal e das prerrogativas da carreira, consideradas pilares da atuação republicana no combate ao crime organizado e à corrupção.



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