Embaixador nega ter autorizado vídeo de Porchat sobre Havaianas
- Luana Valente

- 26 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Humorista gravou sátira dentro da Embaixada do Brasil em Roma, sem conhecimento prévio do diplomata, e episódio gerou reação política e pedido de esclarecimentos ao Itamaraty

O humorista Fábio Porchat publicou, nesta semana, um vídeo em suas redes sociais ironizando as críticas feitas por políticos de direita ao comercial de fim de ano da Havaianas, protagonizado pela atriz Fernanda Torres. A gravação, que rapidamente viralizou, foi feita dentro da Embaixada do Brasil em Roma, na Itália, e provocou polêmica no meio político.
No vídeo, Porchat satiriza a reação de parlamentares ao comercial em que Fernanda Torres afirma não desejar que as pessoas iniciem o ano “com o pé direito”, mas sim “com os dois pés”. A frase foi interpretada por setores da oposição como uma provocação política, gerando um movimento de boicote à marca. O humorista, em tom de deboche, se apresenta como responsável por “gerir a crise” e chega a brincar que teria cancelado o contrato com a Havaianas para acionar a Havan, empresa do empresário Luciano Hang, apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A repercussão aumentou quando se confirmou que o vídeo havia sido gravado dentro da sede diplomática brasileira em Roma. Em nota oficial, o Itamaraty esclareceu que Porchat estava hospedado na residência do embaixador Renato Mosca de Souza como convidado pessoal para a celebração de Natal. O ministério, no entanto, ressaltou que a gravação foi feita e publicada sem o conhecimento ou autorização do diplomata. O próprio embaixador reforçou que não tinha ciência da iniciativa e que a presença do artista não implicou em gastos públicos, já que despesas de convidados pessoais são custeadas pelo anfitrião.
A situação gerou críticas de parlamentares da oposição, como o senador Rogério Marinho (PL-RN), que classificou o episódio como “uso indevido do Estado” e anunciou que pedirá esclarecimentos formais ao Itamaraty. Para os críticos, a utilização da embaixada para gravações de cunho político ou satírico fere a neutralidade institucional que deve ser preservada em espaços diplomáticos.




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