Advogado crítico da delação premiada deixa defesa de Daniel
- Luana Valente

- 22 de jan.
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Advogado crítico da delação premiada deixa defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em meio a rumores de colaboração com a Justiça. A saída de Walfrido Warde, especialista em litígios empresariais, impulsiona questionamentos sobre o uso do instrumento jurídico e gera especulações sobre os rumos da estratégia de defesa.
O advogado Walfrido Warde, conhecido por sua postura combativa e por críticas contundentes à delação premiada, anunciou sua saída da equipe que defende o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão foi comunicada em nota oficial, sem detalhar os motivos, mas ocorre em meio a rumores de que Vorcaro poderia negociar um acordo de colaboração com o Ministério Público.
Vorcaro é investigado por fraudes financeiras bilionárias e por suposta participação em esquema de gestão fraudulenta e organização criminosa, em processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central, ampliando a repercussão do caso no mercado financeiro.
A saída de Warde expôs possíveis divergências dentro da equipe de defesa. Enquanto alguns advogados estariam mais inclinados a considerar a delação premiada como estratégia, outros rejeitam totalmente essa possibilidade. Em nota, o advogado Pierpaolo Bottini, que permanece na defesa, negou “com veemência” qualquer negociação de colaboração premiada, afirmando que não houve tratativas formais ou informais nesse sentido.
Apesar disso, fontes próximas ao caso apontam que a decisão de Warde pode estar relacionada ao desconforto com a possibilidade de se adotar um caminho que ele sempre criticou. Em entrevistas anteriores, o advogado chegou a comparar a delação premiada a uma forma de “tortura psicológica” e defendeu que o instrumento não deveria ser tratado como prova em si, mas apenas como meio auxiliar de investigação.
Walfrido Warde é autor do livro “O Espetáculo da Corrupção”, publicado em 2018, no qual critica os excessos da Operação Lava Jato e o uso indiscriminado da delação premiada. Para ele, o mecanismo pode gerar distorções e comprometer garantias fundamentais do processo penal. Sua saída da defesa de Vorcaro reforça a percepção de que o advogado não estaria disposto a atuar em um caso onde esse recurso pudesse ser cogitado.
Com a saída de Warde, a defesa de Daniel Vorcaro segue sob responsabilidade de outros nomes de peso, como Roberto Podval e Sérgio Leonardo, além de Bottini. O empresário, por sua vez, nega qualquer intenção de firmar acordo de delação e reafirma sua inocência. Ainda assim, o episódio aumenta a pressão sobre o caso e mantém em evidência o debate sobre os limites e a legitimidade da delação premiada no sistema jurídico brasileiro.




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