Banqueiro e ex-presidente do BRB apresentam versões contraditórias sobre origem de créditos
- Luana Valente

- 30 de jan.
- 2 min de leitura
Vorcaro afirma que instituição de Brasília conhecia procedência de ativos; ex-gestor nega ciência

O banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram versões divergentes sobre a origem de créditos bilionários negociados entre o Banco Master e o BRB. Vorcaro declarou que a instituição pública tinha conhecimento de que parte dos ativos vinha de terceiros, enquanto Costa negou ter sido informado sobre essa procedência.
A contradição surgiu no âmbito da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal e supervisionada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga a compra de carteiras de crédito pelo BRB entre janeiro e junho de 2025. O montante envolvido chega a R$ 12,2 bilhões, incluindo créditos considerados “podres” e prêmios pagos pelo banco público.
Em depoimento, Vorcaro afirmou que o BRB foi informado desde o início de que parte dos créditos não tinha origem no Banco Master, mas sim em uma empresa terceira chamada Tirreno. Segundo ele, o modelo de negócios previa a compra de carteiras estruturadas por outros agentes, e essa informação teria sido compartilhada com a gestão do BRB. Já Paulo Henrique Costa sustentou que sempre acreditou que os ativos tinham origem no próprio Banco Master e que não foi comunicado sobre a participação de terceiros na operação.
A divergência entre os depoimentos reforça suspeitas de fraude. A Polícia Federal apura se o BRB comprou créditos inexistentes ou inflados, prática que remete a irregularidades já registradas no sistema financeiro brasileiro. Caso confirmadas as irregularidades, o prejuízo potencial para o BRB pode ultrapassar R$ 12 bilhões, comprometendo a solidez da instituição e gerando riscos para o sistema bancário público.
O caso tem repercussão política e institucional, envolvendo executivos de bancos privados e públicos, além de órgãos reguladores como o Banco Central, que já se manifestaram em depoimentos à PF. A investigação pode resultar em responsabilizações criminais e administrativas.
O embate entre Vorcaro e Costa expõe uma disputa de narrativas que será decisiva para o desfecho da Operação Compliance Zero. Enquanto o banqueiro sustenta que o BRB tinha pleno conhecimento da origem externa dos créditos, o ex-gestor insiste que não foi informado. A apuração da PF e do STF será crucial para determinar se houve dolo, negligência ou falhas de governança na negociação que movimentou bilhões de reais e agora ameaça a credibilidade do sistema financeiro público brasileiro.




Comentários