Bilhetes no esgoto iniciaram operação que prendeu Deolane
- Luana Valente

- 22 de mai.
- 2 min de leitura
Fragmentos revelaram planos do PCC e levaram à investigação sobre lavagem de dinheiro

A prisão da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, realizada nesta quinta-feira, 21, foi resultado de uma investigação iniciada sete anos antes, quando agentes penitenciários encontraram bilhetes descartados no sistema de esgoto da Penitenciária II de Presidente Venceslau, interior de São Paulo. Os manuscritos, recuperados em 2019, continham ordens internas do Primeiro Comando da Capital (PCC), referências ao tráfico de drogas dentro da prisão e até planos de atentados contra servidores públicos.
Entre os trechos analisados, chamou atenção a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria fornecido endereços de agentes públicos para facilitar ataques da facção. A partir dessa pista, a Polícia Civil identificou uma empresa de transportes em Presidente Venceslau, usada como fachada para movimentar recursos ilícitos. Em 2021, a chamada Operação Lado a Lado já havia apreendido celulares e mensagens que indicavam repasses financeiros a Deolane e vínculos comerciais dela com gestores ocultos da transportadora.
A investigação evoluiu para três inquéritos sucessivos, que revelaram a estrutura financeira do PCC e culminaram na Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. A ofensiva determinou seis prisões preventivas, o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em ativos, além do sequestro de imóveis e veículos de luxo. Deolane foi detida em sua mansão na Grande São Paulo, após retornar de viagem à Itália.
Segundo os investigadores, a influenciadora desempenhava papel fundamental ao fornecer uma camada de aparente legalidade para os recursos ilícitos do PCC. Sua projeção pública e movimentação patrimonial eram utilizadas para dissimular a origem criminosa do dinheiro, dificultando o rastreamento. A defesa de Deolane nega envolvimento e afirma que os fatos serão esclarecidos.
O caso expôs novamente a capacidade da facção de articular operações financeiras complexas a partir de dentro dos presídios, utilizando empresas de fachada, depósitos fracionados e aquisição de bens de luxo para ocultar valores. A prisão de Deolane, figura pública com milhões de seguidores, ampliou a repercussão da operação e trouxe à tona os vínculos entre o crime organizado e setores da sociedade civil.




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