Campanha de Flávio Bolsonaro leva Atlas/Bloomberg à Justiça
- Luana Valente

- 19 de mai.
- 2 min de leitura
Senador acusa instituto de manipulação metodológica em pesquisa que apontou queda de sua candidatura

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira, 19. O levantamento mostrou uma queda expressiva nas intenções de voto do parlamentar após a divulgação de áudios envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A defesa de Flávio alega que o instituto teria induzido respostas negativas e cometido crime eleitoral ao utilizar o material como parte do questionário.
Segundo os advogados, a pesquisa teria sido estruturada para associar diretamente o nome do senador ao escândalo financeiro, reforçando uma percepção negativa entre os entrevistados. O pedido ao TSE inclui a suspensão imediata da divulgação dos resultados e a apuração de possíveis irregularidades. A campanha afirma que o uso de áudios sem comprovação pericial compromete a neutralidade esperada em levantamentos eleitorais.
O estudo da Atlas/Bloomberg ouviu 5.032 pessoas entre 13 e 18 de maio, por meio de recrutamento digital aleatório. Os números mostraram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% das intenções de voto no primeiro turno e 48,9% no segundo, enquanto Flávio Bolsonaro caiu para 34,3% e 41,8%, respectivamente. Em comparação com a pesquisa anterior, realizada em abril, o senador perdeu mais de seis pontos percentuais. Além disso, 51,7% dos entrevistados afirmaram acreditar que os áudios indicam envolvimento de Flávio em esquema financeiro, e 45,1% disseram que o caso enfraqueceu muito sua candidatura.
O Partido Liberal classificou o levantamento como “precedente manipulativo grave”, acusando o instituto de extrapolar o papel de medição da opinião pública e atuar como agente de desgaste político. Já a Atlas/Bloomberg negou irregularidades e declarou que o áudio foi utilizado apenas para medir a reação dos eleitores diante das denúncias.
O episódio intensifica o debate sobre a neutralidade metodológica das pesquisas eleitorais e o impacto que levantamentos desse tipo podem ter na formação da opinião pública em um cenário político já marcado por forte polarização.




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