Chefão do PCC condenado a 126 anos desaparece após prisão domiciliar
- Luana Valente

- 25 de mai.
- 2 min de leitura
Decisão judicial polêmica levou à fuga de Gerson Palermo, que nunca mais foi encontrado

O megatraficante Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi condenado a 126 anos de prisão por tráfico internacional de drogas e pelo sequestro de um avião da Vasp em 2000. Apesar do histórico criminal extenso e da periculosidade reconhecida, em abril de 2020 ele recebeu o benefício da prisão domiciliar, concedido pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran durante um plantão judicial. A justificativa foi a pandemia da Covid-19 e supostos problemas de saúde, embora não houvesse laudo médico que comprovasse a condição.
Menos de cinco horas após deixar o presídio federal de segurança máxima de Campo Grande (MS), Palermo rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu. Desde então, está foragido e figura na lista dos criminosos mais procurados do país. O episódio expôs fragilidades no sistema de monitoramento e gerou forte repercussão no meio jurídico e político.
A decisão que permitiu a fuga foi posteriormente alvo de investigação. Em fevereiro de 2026, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu o desembargador Maran com aposentadoria compulsória, apontando irregularidades no processo. O magistrado levou apenas 40 minutos para analisar um habeas corpus de mais de 200 páginas, e assessores já sabiam antecipadamente que o pedido seria aceito, levantando suspeitas sobre a condução do caso.
Palermo, que já havia sido condenado a 66 anos e 9 meses pelo sequestro do Boeing 727 da Vasp e a mais 59 anos por tráfico internacional, permanece desaparecido há seis anos. Sua fuga é considerada um dos episódios mais emblemáticos de falhas no sistema de justiça brasileiro, reforçando críticas à concessão de prisão domiciliar sem comprovação médica para criminosos de alta periculosidade.




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