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Chuvas em Belém e os Investimentos da COP30: Crítica aos Resultados

Reprodução: fotomomtagem
Reprodução: fotomomtagem

Durante a preparação para a COP30, Belém e sua região metropolitana receberam investimentos milionários em obras de infraestrutura, incluindo o esgotamento sanitário do Mercado Ver-o-Peso e projetos de drenagem em Ananindeua, Marituba e Castanhal. Essas intervenções foram anunciadas como fundamentais para modernizar a cidade e reduzir os impactos das chuvas, mas a realidade mostrou-se bem diferente. Neste domingo (19), Belém registrou mais de 150 milímetros de chuva em apenas 24 horas, o maior volume desde 2016, e a cidade entrou em colapso: ruas alagadas, canais e rios transbordando, milhares de pessoas desalojadas e bairros inteiros submersos, como Terra Firme, Guamá e Tapanã.


O contraste entre os investimentos milionários e os resultados práticos é gritante. As obras de saneamento e drenagem não foram capazes de evitar a onda de alagamentos, revelando a falta de planejamento integrado e a prioridade equivocada de projetos voltados mais para a vitrine internacional da COP30 do que para resolver os problemas crônicos da população. O estado de emergência decretado após a maior chuva em uma década expôs a desconexão entre discurso e prática: enquanto se celebrava a COP30 como símbolo de sustentabilidade, Belém mostrava ao mundo sua incapacidade de lidar com o básico — proteger seus cidadãos das chuvas que fazem parte da rotina amazônica.


A crítica é inevitável: de que adianta gastar milhões em obras se, na hora da necessidade, a cidade continua afundando? Belém não precisava apenas de intervenções para impressionar visitantes internacionais, mas de infraestrutura resiliente para enfrentar sua realidade climática. A COP30 deveria ter sido o marco de uma transformação estrutural, mas acabou revelando a persistência de velhos problemas mascarados por projetos milionários sem eficácia comprovada.

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