Defesa de Ciro Nogueira chama investigação da PF de “ilação”
- Luana Valente

- 7 de mai.
- 2 min de leitura
Senador nega suspeita de ter recebido recursos do Banco Master em troca de emenda à PEC da autonomia do Banco Central

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) reagiu às acusações da Polícia Federal, que o aponta como beneficiário de vantagens indevidas oferecidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master. A investigação, parte da Operação Compliance Zero, sugere que Nogueira teria recebido recursos e benefícios pessoais em troca da apresentação de uma emenda à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da autonomia do Banco Central.
Segundo a PF, o parlamentar teria incluído no texto da PEC um dispositivo que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. O trecho, considerado um “jabuti” legislativo, teria sido redigido pela assessoria do Banco Master e entregue ao senador em um envelope. Além disso, os investigadores apontam repasses mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de viagens internacionais e hospedagens custeadas pelo banqueiro.
A defesa de Nogueira, no entanto, classificou as acusações como “ilações”, afirmando que não há provas concretas que sustentem a narrativa apresentada pela Polícia Federal. Em nota, os advogados destacaram que a atuação do senador sempre ocorreu dentro da legalidade e que as medidas da operação se baseiam em “troca de mensagens de terceiros”, sem ligação direta com o parlamentar.
“A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar.
Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos. Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, destaca trecho da nota.
O caso, que tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça, marca a primeira vez que a investigação alcança o núcleo político do esquema envolvendo o Banco Master. Nogueira, presidente nacional do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, é considerado um dos principais articuladores do Congresso.
Enquanto a PF sustenta que houve favorecimento legislativo em troca de vantagens financeiras, o senador insiste em negar qualquer irregularidade, reforçando que sua trajetória política não se confunde com práticas ilícitas. O desfecho do processo dependerá da análise do STF sobre as provas reunidas até o momento.




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