Delegado que prendeu advogada em Cocalzinho é transferido pela Polícia Civil de Goiás
- Luana Valente

- 24 de abr.
- 1 min de leitura
Decisão ocorre após pressão da OAB e determinação judicial que apontou irregularidades na atuação do delegado

A Polícia Civil de Goiás anunciou a transferência do delegado Christian Zilmon Mata dos Santos, que ganhou notoriedade após invadir o escritório e prender a advogada Áricka Rosalia Alves Cunha em Cocalzinho de Goiás. O episódio, ocorrido em abril, gerou forte repercussão nacional e foi considerado arbitrário pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO e OAB Nacional), que denunciou violação das prerrogativas da advocacia.
A medida foi oficializada pelo delegado-geral André Gustavo Corteze Ganga, que determinou a remoção de Zilmon para Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. A decisão atende a pedido da OAB e segue orientação do Conselho Superior da Polícia Civil, que exigiu o afastamento imediato do delegado da comarca de Cocalzinho.
O caso provocou reação institucional: o Tribunal de Justiça de Goiás concedeu habeas corpus preventivo à advogada, proibindo o delegado de atuar em causa própria contra ela. Além disso, a Polícia Civil editou a Portaria nº 323/2026, que estabelece que delegados não podem conduzir investigações em casos nos quais tenham envolvimento pessoal, reforçando a necessidade de imparcialidade.
O presidente da OAB-GO, Rafael Lara, ressalta que as medidas representam uma resposta institucional relevante.
“A atuação da OAB-GO foi decisiva para garantir que situações como essa não se repitam. A advocacia não pode ser intimidada no exercício de sua função, e o respeito às prerrogativas é essencial para a manutenção do Estado de Direito”, afirmou Rafael.
A transferência é vista como uma resposta administrativa para preservar a credibilidade da corporação e evitar novos episódios de abuso de autoridade.




Comentários