Empresa de ‘Careca do INSS’ repassou R$ 700 mil a ministra do STM
- Luana Valente

- 12 de jan.
- 2 min de leitura
Relatório do Coaf aponta movimentações financeiras antes da posse de Verônica Sterman na Corte Militar

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, revelou que a empresa ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, repassou R$ 700 mil ao escritório de advocacia da atual ministra do Superior Tribunal Militar (STM), Verônica Abdalla Sterman. O pagamento ocorreu em uma única parcela, antes de Sterman assumir o cargo na Corte.
De acordo com os documentos, o período analisado pelo relatório vai de outubro de 2024 a fevereiro de 2025. Nesse intervalo, a conta da ACX ITC movimentou cerca de R$ 266,6 milhões, valor considerado expressivo pelos órgãos de fiscalização. O repasse à ministra foi identificado como parte dessas transações, levantando questionamentos sobre a origem e a finalidade dos recursos.
Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como articulador de um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, está preso em Brasília em decorrência da operação “Sem Desconto”. A investigação apura a atuação de empresas ligadas ao empresário em práticas de lavagem de dinheiro e possíveis fraudes financeiras. A ACX ITC, responsável pelo pagamento à ministra, é uma das companhias citadas nos relatórios como instrumento para movimentações suspeitas.
O caso ganhou repercussão política porque o pagamento foi realizado antes da posse de Verônica Sterman no STM, em circunstâncias que agora são alvo de apuração. Embora não haja, até o momento, indícios de irregularidade diretamente atribuídos à ministra, o fato de seu escritório ter recebido valores de uma empresa vinculada a um investigado por fraudes previdenciárias coloca o episódio sob escrutínio público e parlamentar.
A CPMI do INSS deve aprofundar a análise dos relatórios financeiros para verificar se houve tentativa de influência ou favorecimento por parte de grupos ligados ao “Careca do INSS”. O Coaf, por sua vez, reforçou que sua função é identificar movimentações atípicas e encaminhar os dados às autoridades competentes para investigação.




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