Empresária deixa CPMI do INSS após crise de ansiedade
- Luana Valente

- 23 de fev.
- 2 min de leitura
Depoimento de Ingrid Pikinskeni, sócia e esposa de Cícero Marcelino, é interrompido em meio a investigação sobre fraudes contra pensionistas

Brasília — A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS desta segunda-feira (23) foi marcada por tensão e interrupção inesperada. A empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos, convocada para depor sobre supostas irregularidades ligadas à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), deixou a audiência após sofrer uma crise de ansiedade. Durante as perguntas do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Ingrid chorou e relatou mal-estar, sendo atendida pela equipe médica do Senado. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu os trabalhos por 15 minutos, mas a depoente não retornou à sala.
A empresária foi chamada a prestar esclarecimentos depois que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, desistiu de comparecer à CPMI. Ingrid é apontada como sócia e esposa de Cícero Marcelino de Souza Santos, acusado de atuar como operador da Conafer em um esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Segundo investigações, a entidade teria recebido cerca de R$ 100 milhões em valores retirados irregularmente de aposentadorias e pensões.
Antes da audiência, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, havia concedido habeas corpus parcial à empresária, garantindo-lhe o direito de permanecer em silêncio para não se autoincriminar, embora mantendo a obrigatoriedade de comparecimento. A decisão reforçou o caráter delicado do depoimento, que acabou interrompido pela crise emocional da investigada.
Ingrid chegou a alegar ter se sentido traída pelo marido e negou ter conhecimento das irregularidades.
“Em relação a empresas e transferências, eu não vou conseguir responder nada para vocês, porque quem geria tudo isso, como ele falou também aqui para todos vocês, era o meu esposo, Cícero Marcelino. Inclusive, ele traiu minha confiança quando a Polícia Federal bateu à minha porta, acordando meus filhos e constrangendo minha família. Então, para mim, tudo isso aqui é uma surpresa. Inclusive, para mim, estar aqui também está sendo muito difícil, porque eu nunca imaginei passar por uma situação dessa”, declarou.
Mais um clima de pressão marca os trabalhos da CPMI, instalada para apurar fraudes contra pensionistas e aposentados do INSS. A ausência de respostas concretas de Ingrid Pikinskeni deixa em aberto pontos centrais da investigação, que segue em busca de esclarecer o papel da Conafer e de seus operadores no esquema.




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