EUA devem classificar CV e PCC como organizações terroristas
- Luana Valente

- 9 de mar.
- 2 min de leitura
Departamento de Estado finaliza trâmites e anúncio pode ocorrer nos próximos dias

Os Estados Unidos devem anunciar em breve a inclusão das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida, que vem sendo discutida há meses dentro do Departamento de Estado, já recebeu parecer favorável de agências de segurança e aguarda apenas a formalização dos trâmites burocráticos para ser oficializada.
A medida foi revelada com exclusividade no domingo pelo portal UOL. A decisão, segundo fontes ligadas ao governo norte-americano, reflete a crescente preocupação com a atuação transnacional das facções brasileiras, que expandiram suas redes de tráfico de drogas e armas para países vizinhos e estabeleceram conexões com cartéis internacionais. A classificação como grupos terroristas permitirá aos EUA aplicar sanções financeiras, congelar ativos e restringir transações internacionais ligadas às organizações.
De acordo com reportagem do UOL, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, teria atuado discretamente para defender que facções criminosas brasileiras fossem enquadradas como organizações terroristas. Ainda segundo a publicação, ele buscou apoio internacional ao discutir o tema diretamente com Javier Milei, presidente da Argentina, e Nayib Bukele, presidente de El Salvador.
Enquanto isso, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva mantém posição contrária à proposta. Autoridades brasileiras sustentam que grupos como o PCC e o Comando Vermelho não se enquadram na definição de terrorismo, já que não apresentam motivação política ou ideológica — elementos que, na visão da gestão atual, são centrais para caracterizar esse tipo de ameaça.
Autoridades brasileiras acompanham o processo com cautela. Técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública já foram informados sobre os avanços da medida e discutem possíveis impactos na cooperação bilateral. Há receio de que o Brasil seja visto como território de atuação de organizações terroristas, o que poderia afetar sua imagem internacional e gerar implicações econômicas e diplomáticas.
Especialistas em segurança alertam que a decisão também abre espaço para que as facções se tornem alvos legítimos de operações militares norte-americanas fora do território dos EUA. O anúncio oficial é esperado ainda para este mês, mas a publicação no Registro Federal, que dá validade jurídica à medida, deve ocorrer em até duas semanas.
Com isso, o combate ao crime organizado brasileiro ganha uma nova dimensão no cenário internacional, colocando CV e PCC sob o mesmo enquadramento legal de grupos como Al-Qaeda e Estado Islâmico.




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