Ex-presidente da OAB recebeu R$ 1,5 milhão do Banco Master
- Luana Valente

- 14 de abr.
- 2 min de leitura
Receita Federal aponta repasses de R$ 776 mil em duas parcelas

Dados da Receita Federal, encaminhados à CPI do Crime Organizado, revelam que o Banco Master, instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro, contratou em 2025 escritórios de advocacia ligados a ex-presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Entre os beneficiados está o escritório de Felipe Santa Cruz, que presidiu a entidade entre 2019 e 2022.
Santa Cruz recebeu R$ 1,55 milhão do Banco Master no ano passado, por meio de dois pagamentos de R$ 776 mil cada, segundo documentos da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado. Os repasses ocorreram dentro de uma série de contratos firmados pelo banco com escritórios de advocacia ligados a ex-dirigentes da Ordem.
Os pagamentos foram declarados oficialmente pelo banco e constam em relatórios analisados pela CPI. Além de Santa Cruz, outros ex-presidentes da OAB também tiveram contratos com a instituição, dentro de uma estratégia de ampliar sua rede de assessoria jurídica.
Contexto político e jurídico
Felipe Santa Cruz ocupava, até março de 2026, o cargo de secretário de Governo da Prefeitura do Rio de Janeiro, do qual pediu exoneração após a divulgação dos documentos. O caso levanta questionamentos sobre a relação entre grandes instituições financeiras e escritórios de advocacia ligados a figuras de destaque da OAB.
A CPI do Crime Organizado analisa se os contratos tinham caráter estritamente jurídico ou se podem ter envolvido favorecimentos políticos.
A revelação dos repasses deve intensificar os debates sobre transparência nos contratos de advocacia envolvendo ex-dirigentes da OAB e o papel de instituições financeiras em tais acordos. O desfecho das investigações pode ter impacto na carreira política de Santa Cruz, que vinha ocupando funções públicas após deixar a presidência da Ordem.




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