Flávio Bolsonaro defende enquadramento das milícias como terroristas
- Luana Valente

- 15 de jun.
- 2 min de leitura
Senador cita cobrança de taxas no Rio e afirma que grupos impõem “medo coletivo”

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que milicianos devem ser tratados como terroristas, assim como integrantes das facções CV e PCC. “Qualquer criminoso que imponha medo coletivo e adote as práticas do CV e PCC tem de ser enquadrado como terrorista, [milicianos] incluídos”, disse durante o evento.
Bolsonaro destacou que as milícias dominam bairros inteiros no Rio de Janeiro, impondo regras próprias e cobrando taxas de comerciantes locais. “Eles dominam bairros inteiros, impõem um medo coletivo. Qualquer pessoa que mora num local desse, para abrir o seu pequeno comércio, tem que pagar taxa para miliciano ou traficante. A gente tem que libertar essas pessoas”, afirmou. VEJA
A fala ocorre em meio ao debate sobre o avanço do crime organizado no país e reforça a tentativa do senador de se posicionar como defensor de medidas mais duras contra facções. Até então, Flávio vinha defendendo a classificação de CV e PCC como organizações narcoterroristas, mas não havia incluído as milícias nesse grupo.
O posicionamento, no entanto, reacende críticas sobre o passado político do parlamentar. Flávio já foi alvo de acusações de ligação com milicianos, embora não haja investigações em aberto. Em sua trajetória, concedeu a Adriano da Nóbrega — apontado como integrante da milícia de Rio das Pedras — a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio. Além disso, empregou familiares de Nóbrega em seu gabinete entre 2007 e 2018, em meio a suspeitas de rachadinha, investigação posteriormente anulada pelo STF e STJ.
A declaração também se insere em um contexto de disputa política. Flávio Bolsonaro tem buscado ampliar sua narrativa contra o crime organizado, inclusive em articulações internacionais. No mês passado, ele afirmou ter pedido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificasse CV e PCC como organizações terroristas, em contraste com a postura do governo Lula, que defende cooperação internacional sem esse enquadramento.
*Com informações da Veja




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