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Governo suspende vacina da dengue do Butantan após mortes



Medida preventiva interrompe aplicação após duas mortes e 42 casos graves entre 500 mil doses administradas; investigação busca esclarecer relação com imunizante


Divulgação
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O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan, após o registro de duas mortes e 42 casos classificados como reações adversas graves entre as 500 mil doses já aplicadas. A decisão foi tomada como medida preventiva, enquanto especialistas investigam se há relação direta entre os óbitos e o imunizante.


A vacina, conhecida como Butantan-DV, é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e a única no mundo em dose única. Desde janeiro, vinha sendo aplicada em profissionais de saúde e em moradores de cidades selecionadas, como Botucatu (SP), Maranguape (CE), Nova Lima (MG) e Araguaína (TO). No total, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos, o que representa 0,7% das aplicações. Destas, apenas 42 foram consideradas graves, equivalente a 0,008% do total.


O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que ainda não há comprovação de causalidade entre os casos e a vacina, mas que os episódios representam um “sinal de alerta” que justifica a suspensão. Ele reforçou que a medida não afeta a distribuição da vacina Qdenga, da farmacêutica Takeda, que segue disponível no SUS para adolescentes de 10 a 14 anos.


As autoridades de saúde orientam que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como febre persistente, dor abdominal intensa, vômitos contínuos ou sinais de sangramento. Segundo o governo, a eficácia da vacina não foi invalidada e a suspensão é apenas uma precaução até que as investigações sejam concluídas.


Estados e municípios interromperam imediatamente a aplicação. As doses já distribuídas não serão descartadas, permanecendo armazenadas até que haja definição sobre o futuro da campanha. A análise dos casos está sendo conduzida pelo Ministério da Saúde em conjunto com a Anvisa e o Instituto Butantan.


O Brasil continua enfrentando desafios no combate à dengue. Em 2024, o país registrou mais de 6 mil mortes pela doença, quase metade do total mundial. No ano seguinte, o número caiu para cerca de 1.800 óbitos, mas a dengue segue como uma das principais preocupações de saúde pública.

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