Indígenas ocupam terminal da Cargill em Santarém contra decreto de Lula
- Luana Valente

- 21 de fev.
- 2 min de leitura
Protesto expõe tensão sobre privatização de rios amazônicos; multinacional aciona plano de emergência

Um grupo de indígenas invadiu na madrugada deste sábado (21) o terminal portuário da multinacional Cargill em Santarém (PA), em protesto contra o Decreto nº 12.600/2025, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida inclui trechos dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira no Programa Nacional de Desestatização, abrindo caminho para concessões privadas de hidrovias estratégicas da Amazônia.
Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), que reúne 14 povos da região, a ocupação é resultado de mais de um mês de protestos sem resposta do governo. Os manifestantes afirmam que a ação foi pacífica e motivada pela defesa do direito de existir e da preservação dos rios, considerados vitais para a sobrevivência das comunidades.
A Cargill, por sua vez, relatou danos a equipamentos e interrupções nas operações, acionando um plano de emergência para garantir a segurança de funcionários e instalações. A Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) condenou o ato, classificando-o como "ações violentas".
"Desde o início das ações, a Cargill vem reiterando seu respeito direto à manifestação e a despeito de não ingerência sobre a pauta apresentada, no entanto, segue tendo suas operações impactadas e, nesse momento, integralmente interrompidas. A companhia, que já tem ordem judicial para a desocupação, segue em contato com as autoridades para que as providências para desocupação sejam tomadas de forma ordeira e segura", declara a Companhia em nota.
O episódio amplia o impasse político e ambiental entre governo federal, povos indígenas e o setor do agronegócio. Enquanto lideranças indígenas exigem a revogação do decreto e abertura de diálogo, a multinacional e entidades empresariais pressionam por estabilidade e manutenção das atividades portuárias.




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