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Lewandowski recebeu R$5,25 milhões do Banco Master enquanto ocupava o cargo de ministro da Justiça no governo Lula


Ao todo, o contrato de consultoria jurídica rendeu R$6,5 milhões ao escritório da família do ex-ministro em dois anos


André Borges / EFE
André Borges / EFE


O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, manteve um contrato de consultoria jurídica com o Banco Master mesmo após assumir a pasta no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com reportagem publicada pelo site Metrópoles, o escritório Lewandowski Advocacia recebeu R$250 mil mensais do banco entre agosto de 2023 e setembro de 2025, período que abrange quase dois anos de sua gestão à frente do ministério.


No total, o contrato rendeu R$6,5 milhões brutos, dos quais R$5,25 milhões foram pagos já durante o exercício de Lewandowski como ministro da Justiça. Ele assumiu o cargo em janeiro de 2024, após deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), onde atuou por quase 17 anos.


Segundo a apuração, a contratação do escritório foi articulada pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. Wagner também teria indicado o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega para prestar serviços ao mesmo banco, em um contrato ainda mais robusto, de R$1 milhão por mês.


O contrato firmado com o Banco Master previa “consultoria jurídica e institucional de caráter estratégico”. Apesar da nomeação para o ministério, Lewandowski não teria interrompido os pagamentos, o que levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse, já que o ministro era o superior hierárquico da Polícia Federal, instituição responsável por fiscalizar o setor financeiro.


A revelação provocou forte repercussão política. Críticos apontam que a manutenção de contratos privados enquanto exercia funções públicas pode comprometer a credibilidade da gestão e abrir margem para suspeitas de favorecimento. Já aliados defendem que não há ilegalidade, uma vez que Lewandowski teria se afastado formalmente da sociedade do escritório ao assumir o cargo, embora os repasses tenham continuado para a banca da família.


O caso reacende o debate sobre a necessidade de maior transparência e regulamentação de contratos de consultoria envolvendo autoridades públicas. A permanência de vínculos financeiros com empresas privadas durante o exercício de funções estratégicas no governo é vista por especialistas como um risco para a imparcialidade e a confiança nas instituições.

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