Lula critica ação dos EUA e diz ficar “toda noite indignado” com captura de Maduro
- Luana Valente

- 24 de jan.
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Em evento do MST, presidente brasileiro afirmou que a operação militar americana representa ameaça à paz na América do Sul.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se posicionar de forma contundente contra a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro, líder do regime venezuelano. Durante discurso no encerramento do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), realizado em Salvador, Lula declarou que fica “toda noite indignado” com o episódio, classificando-o como uma afronta à integridade territorial da Venezuela.
“Sinceramente, eu fico toda noite indignado com o que aconteceu na Venezuela. Eu não consigo acreditar. O Maduro sabia que tinha 15 mil soldados americanos no Mar do Caribe. Ele sabia que todo dia tinha uma ameaça. Ou seja, os caras entram à noite na Venezuela, vão num forte, que é um quartel, onde morava o Maduro, e levam o Maduro embora. E ninguém soube que o Maduro foi embora”, dispara o petista.
Segundo o presidente, a ação americana, realizada no início de janeiro, envolveu cerca de 15 mil soldados posicionados no Mar do Caribe e culminou na invasão de um quartel onde Maduro residia. O líder venezuelano e a esposa, Cilia Flores, foram levados para os Estados Unidos, onde permanecem presos. Para Lula, o episódio representa uma violação grave da soberania nacional e não condiz com a realidade sul-americana, que ele descreveu como “um território de paz”.
“Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul. Aqui é um território de paz”, afirmou o petista.
O petista destacou ainda que a operação não contou com respaldo da Organização das Nações Unidas (ONU) nem do Congresso norte-americano, o que, em sua avaliação, reforça o caráter ilegal da intervenção. Lula afirmou que pretende articular esforços regionais em defesa da soberania dos países latino-americanos, alertando para os riscos de precedentes que possam fragilizar a estabilidade política da região.
Em seu discurso, Lula também buscou relacionar o episódio à necessidade de fortalecer a integração sul-americana. Para ele, a América Latina deve se posicionar de forma unida contra ações externas que ameacem sua autonomia. “Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul”, disse o presidente, reforçando que a região não pode aceitar intervenções militares que desconsiderem suas instituições e sua soberania.




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