Mais de 46 mil presos deixam prisões na Saidinha de Natal
- Luana Valente

- 31 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Benefício temporário alcançou 6,5% da população carcerária; estados só divulgarão em janeiro quantos não retornaram

A tradicional saída temporária de fim de ano, conhecida como Saidinha de Natal, beneficiou mais de 46 mil presos em todo o Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa cerca de 6,5% dos 701 mil detentos em regime fechado, semiaberto e aberto no país. A medida permite que presos com bom comportamento e que já cumpriram parte da pena deixem as unidades prisionais por até sete dias para passar as festas de fim de ano com familiares.
O estado de São Paulo concentrou a maior parte dos beneficiados, com aproximadamente 31,8 mil detentos liberados, o que corresponde a 15% da população carcerária paulista. No Pará, foram 2,4 mil presos, também cerca de 15% do total local, enquanto em Santa Catarina o número chegou a 2,1 mil. Em comparação com 2024, houve uma redução de 11,5% no número de beneficiados, já que no ano anterior 52 mil presos tiveram acesso à saída.
Apesar da dimensão nacional, o benefício não é uniforme. Sete estados não concedem a saidinha, como Acre, Alagoas, Amazonas, Goiás, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Outros três estados — Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso — ainda não divulgaram dados sobre o número de presos liberados. Essa diversidade reflete tanto decisões locais quanto mudanças legislativas recentes: em 2024, o Congresso aprovou a proibição das saidinhas, mas a medida só vale para presos condenados após a nova lei.
A saída temporária dura sete dias, e por isso os estados só poderão informar em janeiro de 2026 quantos presos não retornaram às unidades prisionais. Esse dado é considerado crucial para avaliar a eficácia e os riscos do benefício, já que parte da população vê a saidinha como uma oportunidade de ressocialização, enquanto críticos apontam para casos de reincidência e evasão.
O debate sobre a saidinha permanece intenso. De um lado, especialistas em direito penal defendem que a medida é um instrumento de reintegração social, permitindo que presos mantenham vínculos familiares e se preparem para a liberdade definitiva. De outro, setores da sociedade e autoridades de segurança pública questionam sua pertinência diante da alta taxa de reincidência criminal no país. A divulgação dos números de retorno em janeiro será determinante para alimentar essa discussão e medir o impacto real da saída temporária de 2025.




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