Ministro André Mendonça determina prisão de banqueiro e bloqueio bilionário
- Luana Valente

- 4 de mar.
- 2 min de leitura
STF autoriza ação da PF contra Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em operação que investiga corrupção e lavagem de dinheiro

A Polícia Federal prendeu nesta quarta-feira (4) o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em São Paulo, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A ordem partiu do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que também determinou o bloqueio e sequestro de bens avaliados em até R$ 22 bilhões.
Segundo o STF, a medida busca interromper movimentações financeiras suspeitas e preservar valores vinculados ao grupo investigado. Além da prisão, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. A operação apura crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídos a uma organização criminosa ligada ao Banco Master.
Vorcaro é apontado como figura central em um dos maiores escândalos financeiros recentes do país. Sua defesa ainda não se manifestou sobre as acusações. O caso reforça a ofensiva do STF e da PF contra esquemas de corrupção de grande porte, com impacto direto no sistema financeiro nacional.
Histórico da Operação Compliance Zero
A prisão de Daniel Vorcaro faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal com autorização do STF. A investigação começou em 2023, após denúncias de movimentações financeiras suspeitas envolvendo o Banco Master e empresas ligadas ao banqueiro.
• Primeira fase (2023): focou em identificar a estrutura da organização criminosa, com mandados de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais. Foram levantados indícios de lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
• Segunda fase (2024): aprofundou a apuração sobre ameaças a autoridades e tentativas de obstrução das investigações. A PF identificou invasões de sistemas e monitoramento ilegal de servidores públicos.
• Terceira fase (2026): culminou na prisão de Vorcaro e no bloqueio de R$ 22 bilhões, considerado um dos maiores valores já sequestrados em operações contra crimes financeiros no Brasil.
O ministro André Mendonça destacou, em sua decisão, que as medidas são necessárias para garantir a ordem pública e a efetividade da persecução penal. Na decisão, ele escreveu que Vorcaro “manteve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas à instituição, participando de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e à sua posterior alocação em estruturas de investimento vinculadas ao próprio conglomerado econômico”.
Segundo ele, elementos da investigação indicam que o banqueiro “participou da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista”.
As investigações também apontam, de acordo com o magistrado, que Vorcaro “manteve interlocução direta e frequente com servidores do Banco Central do Brasil responsáveis pela supervisão bancária, discutindo temas relacionados à situação regulatória da instituição financeira e encaminhando documentos e minutas destinados à autarquia supervisora para análise prévia”.
Esse caso está sendo tratado como um marco na repressão a crimes de colarinho branco, pela dimensão dos valores envolvidos e pela influência do investigado no mercado.




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