Pará lidera crescimento de feminicídios e expõe falhas na proteção às mulheres
- Luana Valente

- 24 de jul.
- 2 min de leitura
Estado registra aumento seis vezes maior que a média nacional, com descumprimento de medidas protetivas em alta e tentativas de feminicídio a cada dois dias

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23), trouxe dados alarmantes sobre a violência de gênero no país. Enquanto o Brasil registrou um crescimento de 4% nos casos de feminicídio entre 2024 e 2025, o Pará apresentou um aumento de 24,3%, seis vezes acima da média nacional. O dado coloca o estado na linha de frente de uma tragédia que se repete diariamente e evidencia a fragilidade das políticas de proteção às mulheres.
Em 2025, no Pará, uma mulher foi assassinada a cada 5,6 dias simplesmente por ser mulher. O cenário se torna ainda mais cruel quando se observam as tentativas de feminicídio: foram 207 registros, o que equivale a uma tentativa a cada dois dias. Na prática, para cada feminicídio consumado houve mais de três tentativas, número superior ao índice nacional.
Outro dado que chama atenção é o descumprimento das medidas protetivas. No último ano, foram contabilizados 2.502 casos, um aumento de 28,7% em relação a 2024. Esse número revela a ineficácia do aparato de segurança em garantir que decisões judiciais sejam cumpridas e que as vítimas estejam de fato protegidas.
No panorama nacional, embora as mortes violentas intencionais tenham caído 8,2% no período, os feminicídios seguiram em trajetória de alta. Em 2025, 44,4% das mulheres assassinadas no Brasil foram mortas por razões de gênero, o maior percentual desde que o crime foi tipificado em 2015.
Especialistas apontam que o crescimento dos feminicídios está diretamente ligado à ausência de políticas públicas eficazes, à falta de estrutura de acolhimento e à subnotificação de ameaças anteriores. No Pará, os números mostram que a violência contra a mulher não é apenas um problema de segurança, mas um desafio estrutural que exige respostas urgentes.
O anuário escancara uma realidade dura: enquanto o país consegue reduzir homicídios em geral, o feminicídio segue como uma chaga aberta. No Pará, a cada semana, em média, uma mulher perde a vida por razões de gênero, e os dados reforçam que a violência contra a mulher continua sendo um dos maiores desafios da segurança pública brasileira.




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