PF avança em operação que mira ex-nora de Lula
- Luana Valente

- 15 de jan.
- 2 min de leitura
Coffee Break investiga fraudes em licitações de materiais escolares em prefeituras do interior de São Paulo

A Polícia Federal cumpriu novos mandados de busca e apreensão nesta semana na terceira fase da Operação Coffee Break, que apura um esquema de corrupção em processos de licitação pública. A investigação aponta para fraudes na contratação de materiais didáticos em prefeituras do interior de São Paulo, com indícios de superfaturamento e pagamento de propinas.
Entre os investigados está Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a PF, ela é suspeita de ter recebido vantagens indevidas em contratos firmados desde 2021. A defesa de Carla nega qualquer envolvimento e afirma que não há provas concretas contra ela.
A operação, batizada de Coffee Break, recebeu esse nome porque os investigadores identificaram que os pagamentos de propina eram tratados pelos envolvidos como “café”. O esquema teria inflado preços de materiais escolares em até 35 vezes acima do valor real, causando prejuízos milionários aos cofres públicos.
De acordo com a PF, o grupo criminoso atuava em três frentes: o núcleo empresarial, responsável por fornecer os produtos; o núcleo público, formado por agentes políticos e servidores que facilitavam os contratos; e o núcleo financeiro, encarregado de movimentar os recursos ilícitos. Além das buscas, foram determinadas medidas patrimoniais, como bloqueio de bens e valores dos investigados.
Na fase anterior da operação, realizada em novembro do ano passado, cinco pessoas foram presas, incluindo políticos e empresários ligados ao esquema. Agora, a terceira etapa busca aprofundar as provas e ampliar o alcance das investigações, que já se estendem por três estados brasileiros.
O caso ganhou repercussão nacional por envolver pessoas próximas à família presidencial. Apesar disso, a PF reforça que as apurações se concentram em contratos municipais e não têm relação direta com o governo federal. O Ministério Público Federal acompanha o processo e deve oferecer denúncia contra os investigados após a conclusão das diligências.
A Operação Coffee Break expõe mais um capítulo das dificuldades enfrentadas por administrações municipais na gestão de recursos destinados à educação. O desvio de verbas públicas, segundo especialistas, compromete diretamente a qualidade do ensino e a confiança da população nas instituições.




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