Planalto e Itamaraty transformam impasse com EUA em narrativa política
- Luana Valente

- há 3 dias
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Cancelamento do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti expõe tensão diplomática e vira motivo de ironia entre diplomatas brasileiros

O cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, pelo governo dos Estados Unidos, em agosto de 2026, abriu uma crise diplomática que rapidamente ganhou contornos políticos. O Planalto e o Itamaraty reagiram com indignação, classificando a medida como “grosseria inaceitável” e acusando Washington de desrespeitar protocolos ao anunciar publicamente, antes do agrément, o nome de Daniel Perez, aliado de Donald Trump, para assumir a embaixada americana em Brasília.
Nos bastidores, porém, diplomatas experientes afirmam que a versão oficial não corresponde à realidade. “A mentira é que foi grosseira”, disse um diplomata brasileiro ouvido pela reportagem. Segundo ele, a demora na aceitação de Perez foi calculada para criar atrito com Trump e levar o episódio ao palanque eleitoral. A estratégia teria transformado um impasse burocrático em narrativa política, reforçando o discurso de resistência do governo Lula diante da pressão americana.
O episódio ganhou ainda mais repercussão porque Viotti, primeira mulher a chefiar a embaixada em Washington, foi alvo de uma medida considerada humilhante: a revogação de seu visto, embora tenha sido autorizada a permanecer nos Estados Unidos. A decisão coincidiu com a aprovação de Perez pelo Senado americano, consolidando o constrangimento diplomático.
A crise se soma a outros atritos recentes, como tarifas impostas por Trump a produtos brasileiros e negativas de vistos a diplomatas americanos por parte de Brasília. Para analistas, o caso expõe a fragilidade das relações bilaterais e revela que a crise diplomática está sendo instrumentalizadas em momentos de tensão política.




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