Vereador em prisão domiciliar assume prefeitura no Maranhão
- Luana Valente

- 28 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
José Luís Araújo Diniz, presidente da Câmara de Turilândia, foi empossado interinamente após afastamento do prefeito e da vice por suspeita de corrupção

O município de Turilândia, localizado a 157 quilômetros de São Luís, vive uma situação inédita e controversa. O presidente da Câmara Municipal, vereador José Luís Araújo Diniz (União Brasil), conhecido como “Pelego”, assumiu interinamente a prefeitura mesmo estando sob prisão domiciliar. A decisão ocorreu após o Tribunal de Justiça do Maranhão determinar o afastamento do prefeito Paulo Curió (União Brasil) e da vice-prefeita Tânya Mendes (PRD), ambos investigados por suspeita de desvio de recursos públicos.
A posse de Diniz aconteceu na sexta-feira, 26, em meio às repercussões da Operação Tântalo II, deflagrada pelo Ministério Público do Maranhão. A investigação aponta para um esquema que teria desviado cerca de R$ 56 milhões dos cofres municipais. O caso levou não apenas ao afastamento do prefeito e da vice, mas também à prisão de outros envolvidos, incluindo a primeira-dama Eva Curió e ex-integrantes da administração.
Mesmo sob investigação e cumprindo prisão domiciliar, Diniz foi autorizado pela Justiça a participar de sessões da Câmara. No entanto, não há decisão judicial clara que permita o exercício pleno da função de prefeito. A situação gerou questionamentos sobre a legalidade e a legitimidade da posse, já que o vereador só pode deixar sua residência para atividades relacionadas ao trabalho legislativo.
Com a transferência de Diniz para o Executivo, a vice-presidente da Câmara, vereadora Inailce Nogueira Lopes (União Brasil), também em prisão domiciliar, passou a comandar interinamente o Legislativo municipal. Esse cenário agrava a crise política em Turilândia, cidade de pouco mais de 31 mil habitantes, que agora tem tanto o Executivo quanto o Legislativo sob a direção de autoridades investigadas.
A Operação Tântalo II, que desencadeou as mudanças na administração, é considerada uma das maiores ações de combate à corrupção no Maranhão. O Ministério Público afirma que os desvios ocorreram em diferentes áreas da gestão municipal, incluindo saúde, educação e infraestrutura. A repercussão do caso tem colocado Turilândia no centro das atenções nacionais, levantando debates sobre a fragilidade institucional em municípios de pequeno porte e a necessidade de maior fiscalização.
Enquanto a Justiça não define os próximos passos, a população de Turilândia enfrenta incertezas quanto à condução da administração pública.




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