Às vésperas do fim da prisão domiciliar, Bolsonaro apresenta melhora clínica, mas aponta efeitos colaterais e oscilações no quadro
- Luana Valente

- 22 de jun.
- 2 min de leitura
Boletim médico registra evolução física do ex-presidente com sonolência diurna e instabilidade no equilíbrio; decisão sobre continuidade da medida humanitária será tomada pelo STF

O boletim médico divulgado na sexta-feira (19), aponta melhora significativa no estado clínico de Jair Bolsonaro, que se recupera de cirurgia no ombro e de complicações respiratórias. O documento, assinado pela equipe responsável pelo acompanhamento do ex-presidente, destaca avanços nas sessões de fisioterapia realizadas entre os dias 15 e 17, com ganho de mobilidade e redução da dor. Apesar da evolução positiva, o relatório também registra oscilações físicas e efeitos colaterais decorrentes do uso de medicamentos em doses próximas ao limite terapêutico seguro, como sonolência diurna e instabilidade no equilíbrio.
A melhora clínica ocorre em um momento decisivo: o prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, em março, está prestes a expirar. A medida foi autorizada após Bolsonaro ser internado com broncopneumonia bacteriana bilateral, em meio à execução da pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Agora, caberá ao Supremo Tribunal Federal avaliar se a domiciliar será prorrogada ou revogada, determinando o retorno do ex-presidente ao presídio Papudinha, em Brasília.
O cenário jurídico é acompanhado de forte pressão política. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou pedido para que Bolsonaro volte imediatamente ao regime fechado, após a apreensão de uma arma registrada em nome do ex-presidente no carro de um militar do Gabinete de Segurança Institucional. Para o parlamentar, a prisão domiciliar não estaria garantindo o cumprimento adequado da pena.
Enquanto isso, os relatórios médicos reforçam que, embora haja melhora clínica, Bolsonaro ainda enfrenta oscilações de disposição e efeitos adversos que exigem acompanhamento contínuo. A decisão do STF sobre sua permanência em casa ou retorno ao presídio deve ser tomada nos próximos dias, em meio a um ambiente de tensão política e expectativa nacional.




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