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Após concluir investigação, EUA recomendam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros


Decisão final caberá a Donald Trump após investigação comercial


Kent Nishimura/AFP
Kent Nishimura/AFP

Os Estados Unidos concluíram uma investigação contra o Brasil e recomendaram a aplicação de tarifas de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. A medida foi proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) e ainda depende da decisão final do presidente Donald Trump, que terá até julho para confirmar ou rejeitar a recomendação.


A investigação, aberta em 2025, foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e apontou supostos privilégios concedidos pelo governo brasileiro ao sistema de pagamentos Pix, além de restrições impostas por decisões judiciais a plataformas digitais americanas. O relatório também citou questões ambientais, como o desmatamento ilegal, além de práticas comerciais consideradas desleais, como acordos preferenciais com países como México e Índia.


O governo brasileiro reagiu com firmeza, classificando a proposta como injusta e politicamente motivada. Em nota oficial, o Palácio do Planalto destacou que os Estados Unidos acumularam superávit de mais de US$ 400 bilhões em bens e serviços nas trocas com o Brasil nos últimos 15 anos, o que contradiz a alegação de prejuízo comercial. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o país buscará diálogo internacional e apoio junto à OCDE para contestar a medida.


A disputa ganhou contornos políticos após a revelação de que o senador Flávio Bolsonaro esteve na Casa Branca e teria pedido pessoalmente a Trump que não aplicasse as tarifas. O governo Lula acusa o parlamentar de atuar contra os interesses nacionais por motivações eleitorais, enquanto Flávio nega e afirma ter defendido o Brasil.


Caso seja confirmada, a tarifa de 25% poderá atingir setores estratégicos da economia brasileira, como manufaturados, tecnologia e serviços digitais. Produtos como carne, frutas, café, aeronaves e terras raras, considerados essenciais pelos EUA, devem ficar de fora da lista. O Brasil, por sua vez, ameaça recorrer à Lei de Reciprocidade e retaliar com medidas contra exportações americanas.


O processo ainda prevê consultas públicas e uma audiência marcada para 6 de julho. A decisão final caberá a Donald Trump, que terá até 15 de julho de 2026 para definir se o novo tarifaço será implementado, em um movimento que pode redefinir as relações comerciais entre os dois países.


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