China impõe tarifa de 55% sobre carne brasileira e frigoríficos já sentem impacto
- Luana Valente

- 16 de jul.
- 2 min de leitura
Sobretaxa sobre exportações acima da cota anual força paralisações e férias coletivas no setor, mas tema segue pouco debatido no Brasil

A decisão da China de aplicar uma tarifa de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassa a cota anual de importação já provoca efeitos concretos na indústria nacional. Desde janeiro, o país asiático estabeleceu um limite de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil, com taxa de 12% dentro da cota. Ao exceder esse volume, a sobretaxa eleva a carga tributária a cerca de 67%, tornando inviável a continuidade das exportações.
O impacto foi imediato: frigoríficos começaram a suspender linhas de produção e conceder férias coletivas. “Não há mercado que substitua a China”, afirmou Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), destacando a dependência do setor. Em 2025, mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina — cerca de 1,68 milhão de toneladas — tiveram como destino o mercado chinês.
As perdas financeiras são estimadas em até 10% das exportações anuais, o que pode representar US$ 3 bilhões a menos para o Brasil. Além disso, a maior oferta de carne no mercado interno pressiona os preços pagos aos pecuaristas, gerando preocupação em toda a cadeia produtiva.
Apesar da gravidade, o tema tem recebido pouca atenção no debate público. Analistas apontam que o governo brasileiro tenta minimizar o impacto, enquanto a oposição responsabiliza o presidente Lula pela crise. O senador Flávio Bolsonaro declarou que pretende buscar autoridades chinesas para reverter a medida e criticou a condução da política externa: “O Brasil acabou de ser tarifado também, mais 55% pela China. […] A gente está falando de 67% de tarifação da nossa carne brasileira”.
Tentativas de negociação, como a proposta de troca de cotas com o Uruguai, não avançaram diante da resistência de grandes frigoríficos. Enquanto isso, o setor aguarda uma solução diplomática para evitar que a crise se aprofunde.
O silêncio em torno do tarifaço revela a complexidade do tema e a dificuldade de enfrentá-lo. Trata-se de uma crise comercial que ameaça bilhões de dólares em exportações e expõe a vulnerabilidade do Brasil diante da dependência de um único mercado.




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