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Comerciante relata trama para incriminar Alfredo Gaspar


Depoimento cita Lindbergh Farias e pagamentos de R$ 16 mil em suposta armação política


Agência Câmara
Agência Câmara


Em depoimento prestado à Polícia Legislativa, um comerciante carioca, identificado como "Luis Antônio Lopes", de 62 anos, afirmou ter participado de uma trama para acusar falsamente Alfredo Gaspar, hoje vice na campanha de Flávio Bolsonaro. O relato envolve diretamente o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e menciona pagamentos que somam pelo menos R$ 16 mil. Segundo o comerciante, o plano orquestrado previa “dar um sumiço” na suposta vítima e, em seguida, atribuir a responsabilidade ao parlamentar, relacionando a denúncia de abuso sexual a uma articulação política.


O relato foi colhido pela Polícia Legislativa da Casa de forma virtual em 23 de abril, após a corporação ser acionada pelo próprio Gaspar. O parlamentar alagoano relatou que o depoente teria ligado para seu gabinete funcional a fim de denunciar a possível trama.


De acordo com o depoimento, a jovem teria sido recrutada por um homem chamado "Lucas", e cujo apelido seria "Doidinho". Marcela seria usada na acusação e deveria assumir uma identidade fictícia, além de alegar ter sido vítima de Gaspar, chegando a afirmar que teria uma filha fruto do suposto crime. O comerciante declarou que sua conta bancária foi utilizada para receber depósitos de R$ 4 mil, R$ 10 mil e R$ 2,5 mil, valores que, segundo ele, estavam vinculados à operação. “A ideia era criar um escândalo e depois desaparecer com a vítima, para ampliar o desgaste político”, disse.


“Em determinada ocasião, Marcela se reuniu com uma mulher jornalista e com um indivíduo de nome Lucas, o qual se apresentava como assessor do Legislativo, conhecido do prefeito de Nova Iguaçu e, posteriormente, como ligado ao contexto político de Lindbergh Farias; […] tomou conhecimento, por intermédio de um colaborador do seu estabelecimento, senhor Rodrigo Freitas, morador da comunidade do Acari e vizinho de Marcela, de que ela havia sido preparada para conceder entrevista sob identidade falsa, utilizando o nome fictício de ‘Jailma’, afirmando falsamente ser oriunda de Maceió/AL e sustentando narrativa segundo a qual teria sido abusada sexualmente, ainda adolescente, por um político, fato do qual teria resultado uma criança“, destaca um trecho do boletim de ocorrência.

O nome de Lindbergh Farias surge no depoimento como alguém que teria participado de reuniões virtuais e “parecia ter plena ciência do contexto fraudulento”. O deputado, no entanto, negou qualquer envolvimento e classificou a acusação como “uma tentativa de me incriminar politicamente”. A senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) também foi mencionada, já que havia protocolado, junto com Lindbergh, uma notícia de fato contra Gaspar em março, acusando-o de estupro de vulnerável.


Com o avanço das investigações, Lindbergh recuou de sua posição inicial, em um episódio que ganhou novos contornos e passou a gerar ainda mais questionamentos sobre os envolvidos e as circunstâncias dos acontecimentos. O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal e está sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que deverá avaliar a veracidade das alegações e os desdobramentos políticos da denúncia.


O episódio ocorre em meio à corrida eleitoral, na qual Alfredo Gaspar foi anunciado como vice de Flávio Bolsonaro. A denúncia e sua posterior contestação ampliaram a tensão política, levantando dúvidas sobre o uso de acusações falsas como ferramenta de disputa eleitoral.

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