Crise diplomática: fala de Lula sobre Guerra do Paraguai leva Assunção a pedir devolução de canhões históricos
- Luana Valente

- 1 de ago.
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O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizado em Jacareí (SP) na última sexta-feira (24), reacendeu tensões históricas entre Brasil e Paraguai. Ao defender investimentos na área de defesa, Lula mencionou a Guerra da Tríplice Aliança (1864–1870) e afirmou: “A gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil, invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina e aquela guerra, que parecia que era nada, durou cinco anos”.
A declaração provocou reação imediata em Assunção. O governo paraguaio emitiu uma nota oficial de repúdio, entregue ao embaixador brasileiro José Marcondes, na qual expressou “desagrado e absoluto repúdio às recentes declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sobre episódios da Guerra da Tríplice Aliança”. O comunicado destacou que os fatos históricos devem ser tratados com “responsabilidade, respeito recíproco e espírito de reconciliação”.
Como resposta simbólica, o Paraguai solicitou a devolução de artefatos da guerra, incluindo o canhão Presidente López e o canhão El Cristiano, este último fundido a partir de sinos de igrejas paraguaias e atualmente exposto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. Além dos canhões, o pedido inclui documentos e outros troféus de guerra preservados em território brasileiro.
A Guerra da Tríplice Aliança, travada entre Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, deixou marcas profundas: estima-se que o país vizinho tenha perdido cerca de 70% de sua população e parte significativa de seu território. Para Assunção, a devolução dos objetos seria um gesto de reparação histórica e de encerramento definitivo das feridas do conflito.
Apesar da tensão, o governo paraguaio afirmou que pretende manter a agenda bilateral com o Brasil, incluindo cooperação em temas estratégicos como a Usina de Itaipu. Já diplomatas brasileiros sustentam que a fala de Lula foi tirada de contexto e não teve intenção de ofender.




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