Delegados da PF criticam governo e cobram autonomia institucional
- Luana Valente

- 27 de jul.
- 2 min de leitura
Categoria aponta risco de perda de credibilidade e alerta para evasão de profissionais diante da falta de garantias legais

Em entrevista exclusiva, o presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, afirmou que a categoria está insatisfeita com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, os delegados têm se sentido desmotivados diante da ausência de uma lei de autonomia da Polícia Federal, considerada essencial para blindar a corporação de pressões políticas e preservar sua credibilidade.
Paiva destacou que a proximidade entre o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente Lula gera preocupação dentro da corporação, já que pode ser interpretada como uma relação excessivamente próxima ao poder político. “A autonomia não pode depender da vontade de quem está no governo, precisa ser garantida por lei”, afirmou.
A insatisfação também se reflete em problemas estruturais. Nos últimos três anos, 50 delegados deixaram a carreira, mesmo com a posse de 104 novos profissionais. Além disso, o número de inscritos em concursos da PF caiu de 321 mil em 2021 para 218 mil em 2025, sinalizando perda de atratividade da profissão. A ADPF alerta que a sobrecarga de atribuições sem recomposição orçamentária tem levado à evasão de talentos para outras carreiras, como magistratura e Ministério Público.
Entre as propostas apresentadas pela associação estão a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC), que reinvestiria recursos confiscados do crime na própria PF, e a implementação da Gratificação de Eficiência Institucional (GEI), vinculada ao aumento da recuperação de ativos ilícitos. Para os delegados, essas medidas fortaleceriam a tecnologia, a valorização profissional e a capacidade investigativa da corporação.
As críticas recentes de Lula à Polícia Federal também ampliaram o mal-estar. Delegados consideram que o discurso presidencial, ao afirmar que concede autonomia à PF, ignora a necessidade de uma legislação específica que garanta independência institucional.
O cenário expõe uma tensão histórica entre a Polícia Federal e o poder político. Sem avanços concretos em relação à autonomia, a categoria teme que operações sensíveis possam ser comprometidas e que a credibilidade da instituição seja colocada em xeque.




Comentários