Delegados, promotor e juiz são acusados de integrar esquema de propina em Belém
- Luana Valente

- 10 de jan.
- 2 min de leitura
Ministério Público aponta fraude na distribuição de processos e cobrança de suborno de investigados

O Ministério Público do Pará (MPPA) revelou a existência de um suposto esquema de corrupção envolvendo dois delegados da Polícia Civil, um promotor de Justiça e um juiz em Belém. Segundo a investigação, o grupo teria se organizado para burlar a distribuição de processos judiciais e, a partir disso, achacar investigados mediante cobrança de propina.
De acordo com o relatório elaborado pela Procuradoria-Geral de Justiça, que soma mais de 550 páginas, o esquema não se limitava apenas a esses quatro agentes públicos. Outros servidores, incluindo uma promotora de Justiça, assessores e advogados, também são investigados por participação. Os advogados, segundo o MP, teriam aceitado os achaques e intermediado pagamentos de suborno em benefício de seus clientes Acessa.com.
As práticas ilícitas identificadas pelo Ministério Público abrangiam diferentes tipos de processos, como ações de cobrança de dívidas cíveis, casos relacionados a influenciadores digitais em jogos de aposta e até acidentes de trânsito. Em todos esses contextos, os investigados eram pressionados a pagar valores indevidos para obter vantagens ou evitar prejuízos judiciais.
O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de áudios e documentos que detalham a atuação dos envolvidos. O MPPA encaminhou o relatório ao Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), que passou a analisar o caso em segunda instância, devido ao envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro. Até o momento, o TJPA não se manifestou oficialmente sobre o andamento do processo.
As instituições citadas se posicionaram de forma cautelosa. A Polícia Civil do Pará afirmou que não compactua com desvios de conduta e que colabora com as investigações. A Promotoria declarou que aguarda a conclusão das apurações para aplicar as medidas cabíveis. Já as defesas dos acusados alegam inocência e questionam a legalidade das provas apresentadas.
O episódio expõe uma crise de credibilidade no sistema de justiça paraense, ao envolver diretamente agentes que deveriam zelar pela legalidade e pelo combate à corrupção. A investigação segue em curso e poderá resultar em afastamentos, processos disciplinares e ações penais contra os envolvidos.




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