Déficit bilionário das estatais dispara e supera R$ 18 bilhões no governo Lula
- Luana Valente

- 22 de jul.
- 2 min de leitura
Auditoria do TCU aponta sequência de resultados negativos nas empresas estatais federais e acende alerta para o impacto nas contas públicas

Um relatório recente do Tribunal de Contas da União (TCU) revelou que as empresas estatais federais não dependentes acumulam um déficit de R$ 18,48 bilhões entre janeiro de 2023 e maio do ano vigente, período correspondente ao governo Lula. O resultado contrasta com os anos anteriores, quando o conjunto dessas companhias registrou superávits consecutivos, somando R$ 17,46 bilhões entre 2019 e 2022, durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Entre as estatais que mais contribuíram para o rombo estão os Correios, Infraero, Eletronuclear e Casa da Moeda. O TCU destacou que 95% do déficit de 2025 concentrou-se em apenas quatro empresas: a Empresa Gerencial de Projetos Navais, os Correios, a Empresa Gestora de Ativos e a Infraero. O caso dos Correios é considerado o mais crítico, com risco iminente de insolvência. Os custos de pessoal consomem cerca de 60% da receita, e a União já se comprometeu a aportar ao menos R$ 6 bilhões até 2027 para evitar o colapso da estatal.
Evolução dos resultados
2023: déficit de R$ 656 milhões
2024: déficit de R$ 6,73 bilhões
2025: déficit de R$ 5,13 bilhões
2026 (até maio): déficit de R$ 5,96 bilhões
O déficit primário do Programa de Dispêndios Globais chegou a R$ 4,9 bilhões em 2025, obrigando o governo a utilizar 91% dos R$ 3,29 bilhões contingenciados para cobrir o rombo. Essa medida impactou diretamente programas públicos e exigiu replanejamento orçamentário.
Diagnóstico do TCU
O tribunal atribui a deterioração financeira das estatais a uma “deficiência sistêmica na supervisão ministerial”, apontando falta de ajustes estruturais e de monitoramento preventivo. O relatório conclui que a capacidade de autofinanciamento dessas empresas está em queda, o que pressiona ainda mais o esforço fiscal do governo.
Perspectivas
O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 prevê que o déficit das estatais não dependentes persistirá até 2030, indicando que o problema é estrutural e não apenas conjuntural. Mais da metade das 21 empresas que compõem o Programa de Dispêndios Globais fecharam 2025 no vermelho, reforçando a necessidade de medidas urgentes para evitar que o rombo comprometa ainda mais as contas públicas.
O alerta do TCU evidencia o desafio do governo Lula em equilibrar as finanças das estatais e preservar a sustentabilidade fiscal do país. Sem reformas estruturais e maior rigor na gestão, o déficit pode se tornar um peso permanente para o orçamento federal.




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