Déficit de 0,20% do PIB não ameaça economia, afirma Lula
- Luana Valente

- 11 de jun.
- 2 min de leitura
Presidente minimiza preocupações do mercado durante reunião do Conselhão e defende crescimento com distribuição de renda

Durante a 7ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Conselhão), realizada em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que um déficit primário de 0,20% do Produto Interno Bruto (PIB) não representa risco para a economia brasileira. “Não faz o mundo cair”, disse Lula, ao rebater críticas de setores do mercado financeiro que apontam para a necessidade de superávit fiscal rigoroso.
O presidente comparou a situação brasileira com países desenvolvidos que convivem com dívidas muito superiores. Citou os Estados Unidos, cuja dívida pública gira em torno de 120% do PIB, a Itália, com cerca de 200%, e o Japão, que ultrapassa 290%. Para Lula, diante desses números, o Brasil não deveria tratar como catástrofe um déficit tão pequeno.
Ainda de acordo com o petista, “a economia do Brasil está correta”.
“A economia do Brasil tá correta. Obviamente que eu gostaria de crescer 10%. Mas o importante não é o quanto você vai crescer. O importante é se o que você crescer é distribuído, porque esse país já cresceu 14% ao ano e não distribuiu. Então, o que é importante é que aos poucos a gente vai colocando a parte mais sensível e mais pobre da população dentro do orçamento do país, levando a sério a educação, a saúde, a legalização de terras indígenas, a questão de demarcar as zonas que nós precisamos demarcar, tanto no oceano quanto nas florestas, a questão dos quilombolas”, tentou justificar.
Quanto a meta fiscal para este ano a previsão é de superávit primário de 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo. Apesar disso, dados recentes do Tesouro Nacional mostram que, no acumulado de 12 meses até abril, o país registrou déficit de 0,97% do PIB, mesmo após um superávit de R$ 25,2 bilhões em abril.
Para Lula o crescimento econômico só tem sentido se acompanhado de distribuição de renda. Além disso, o petista destacou o que considera ser prioridades na gestão, destacando investimentos em educação e saúde, demarcação de terras indígenas, reconhecimento de territórios quilombolas e inclusão da população mais pobre no orçamento nacional.
As declarações repercutiram entre economistas e agentes do mercado. Analistas alertam que gastos adicionais podem pressionar a dívida pública e dificultar o controle da inflação.




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