Operação “Pasto Nullus” desencadeia confronto entre governo e produtores em São Félix do Xingu
- Luana Valente

- 10 de jun.
- 2 min de leitura
Produtores rurais enfrentam operação federal e acusam governo de “sequestro de gado” no Pará

O sul do Pará voltou a ser cenário de tensão entre trabalhadores rurais e agentes federais. Em São Félix do Xingu, uma operação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tentou retirar rebanhos de áreas consideradas irregulares, mas foi interrompida pela reação imediata da população local.
Batizada de “Pasto Nullus”, a ação foi deflagrada em 3 de junho com apoio de instituições estaduais e federais na Estação Ecológica da Terra do Meio. O alvo era a criação de gado mantida em área embargada. No total, 90 cabeças de gado foram envolvidas na ocorrência.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram caminhões carregados com parte do rebanho, prestes a ser levado pelo órgão. A cena rapidamente se transformou em resistência: produtores e moradores abriram os veículos e devolveram os animais ao pasto, impedindo a remoção. Para os trabalhadores, a ação não foi uma simples fiscalização, mas um verdadeiro “sequestro de gado” promovido pelo governo federal.
O ICMBio sustenta que a medida integra uma ofensiva contra a pecuária em áreas embargadas, parte de uma estratégia para conter o desmatamento e impedir a exploração econômica de regiões sob restrição ambiental. Já os produtores denunciam abusos, afirmam que não houve diálogo e acusam o governo Lula de criminalizar famílias que dependem do gado para sobreviver.
O episódio expõe um dilema que se repete na Amazônia: de um lado, a política ambiental que busca frear a expansão da pecuária em áreas protegidas; de outro, comunidades que veem seus animais como patrimônio e sustento. Em São Félix do Xingu, onde a criação de gado é motor da economia local, a operação reacendeu o conflito entre Brasília e o campo.
A imagem dos produtores retirando os animais dos caminhões tornou-se símbolo da disputa: agentes federais tentando aplicar a lei ambiental e famílias rurais defendendo o que consideram seu direito de sobrevivência. Mais do que um embate pontual, o caso revela a profundidade da crise fundiária e ambiental na região, onde cada ação de fiscalização pode se transformar em confronto aberto.




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