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Em decisão rara, Toffoli escolhe peritos da PF para caso Master, gerando desconforto entre investigadores


A medida é considerada incomum e provocou críticas internas na corporação.


Gustavo Moreno/STF
Gustavo Moreno/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou uma decisão incomum ao indicar, por conta própria, os peritos da Polícia Federal que terão acesso às provas apreendidas na segunda fase da Operação Compliance Zero, investigação que apura possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master. O despacho, publicado na última quinta-feira (15), determinou que apenas quatro especialistas da PF poderão realizar a perícia nos celulares e documentos recolhidos.


Segundo a decisão, os peritos escolhidos foram Luis Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schreppel Delmutti. Eles terão acesso restrito ao material, que está sob custódia do STF e será analisado com acompanhamento da Procuradoria-Geral da República (PGR). Inicialmente, Toffoli havia determinado que os itens permanecessem lacrados, mas mudou de posição ao autorizar a perícia, impondo limites quanto ao número de profissionais envolvidos.


A escolha direta dos peritos pelo ministro gerou desconforto dentro da Polícia Federal. Delegados e investigadores consideraram a medida fora do padrão, já que normalmente cabe à própria corporação definir quais profissionais conduzirão análises técnicas. Internamente, a decisão foi vista como um gesto que pode comprometer o andamento das apurações, ao restringir a autonomia da PF e criar ruídos entre os investigadores.


O caso Master, como ficou conhecido, envolve suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades em operações ligadas ao Banco Master. A Operação Compliance Zero, deflagrada pela PF, já havia apreendido celulares, computadores e documentos em fases anteriores. A expectativa é que a perícia desses materiais seja crucial para avançar nas investigações e esclarecer o papel de executivos e instituições financeiras no esquema.


Apesar das críticas, Toffoli justificou sua decisão como uma forma de garantir maior controle sobre o processo e preservar a integridade das provas. O ministro também determinou que a PGR acompanhe todas as etapas da análise, reforçando o caráter supervisionado da perícia. Ainda assim, a medida reforça a percepção de que o STF tem adotado uma postura mais intervencionista em casos de grande repercussão política e econômica.


A repercussão da decisão deve se prolongar nos próximos dias, já que investigadores da PF avaliam que a limitação pode atrasar a extração de dados e dificultar o avanço das apurações. O episódio expõe mais uma vez a tensão entre o Supremo e a Polícia Federal em operações sensíveis, colocando em debate os limites da atuação judicial sobre procedimentos técnicos de investigação.

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