Escolha de André do Prado para o Senado expõe fissuras no bolsonarismo
- Luana Valente

- 9 de mai.
- 2 min de leitura
Decisão de Eduardo Bolsonaro provoca críticas internas e resistência de aliados

A confirmação de Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente de André do Prado (PL) na disputa ao Senado por São Paulo em 2026 desencadeou uma onda de críticas dentro do próprio campo bolsonarista. O anúncio, feito contou com articulação direta do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A escolha, no entanto, foi recebida com desconfiança por parte da militância e de influenciadores ligados ao movimento. Para críticos, Prado representa a aproximação com o Centrão, o que contraria a narrativa de combate à “velha política” defendida por setores mais ideológicos da direita. O comentarista Rodrigo Constantino classificou a decisão como “vergonhosa”, enquanto o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) intensificou ataques, apelidando o presidente da Alesp de “Valdemarzinho” e defendendo que os nomes mais alinhados ao bolsonarismo seriam ele próprio e o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP).
Apesar da resistência, a candidatura recebeu apoio de figuras como Gil Diniz (PL) e Mário Frias (PL), que abriram mão de disputar a vaga. Eduardo justificou a escolha destacando a capacidade de Prado em articular com prefeitos paulistas, o que, segundo ele, poderia fortalecer a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Nos bastidores, a decisão também provocou tensão familiar. O ex-presidente Jair Bolsonaro teria reagido negativamente ao anúncio, considerando a aliança prejudicial ao clã. Críticos lembraram ainda que André do Prado apoiou em 2018 a candidatura de Márcio França (PSB), hoje aliado de Lula, fato usado para reforçar a percepção de que o deputado não representa o bolsonarismo.
Com duas vagas ao Senado em disputa por São Paulo em 2026, o episódio evidencia o dilema estratégico do PL: ampliar alianças para garantir votos ou preservar a identidade ideológica do movimento. A escolha de Prado, ao mesmo tempo em que fortalece a articulação política do partido, expõe as fraturas internas e a dificuldade de conciliar pragmatismo com fidelidade às bases da “direita raiz”.
Em síntese, a decisão de Eduardo Bolsonaro abriu um novo capítulo de disputas internas, revelando que a corrida ao Senado em São Paulo será não apenas eleitoral, mas também um teste de unidade dentro da direita.




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