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Firma sancionada nos EUA recebeu R$ 514 milhões da rede de lavagem do Careca do INSS



Investigação revela como a Victory Trading, alvo de sanções do Tesouro norte-americano por suposta ligação com o PCC, recebeu mais de meio bilhão de reais de empresa integrante da rede Arpar, comandada por Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”


Reprodução
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A Victory Trading Intermediação de Negócios, pertencente ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, foi sancionada em julho de 2026 pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A medida se deu por suspeita de participação em operações financeiras ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que os EUA classificaram como organização terrorista internacional. Entre setembro de 2023 e setembro de 2024, a Victory Trading recebeu R$ 514,5 milhões da Wave Intermediações, uma das principais empresas da chamada rede Arpar.


A rede Arpar, formada por dezenas de companhias de fachada, foi identificada pela CPMI do INSS como responsável por movimentar mais de R$ 39 bilhões em fraudes contra a Previdência. O esquema consistia em criar benefícios falsos e manipular dados do INSS, desviando recursos que eram posteriormente lavados por meio de empresas fictícias e operações financeiras complexas.


No centro da engrenagem estava Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como líder da rede. Ele articulava empresas de fachada e operadores financeiros para dar aparência de legalidade às transações, conectando o esquema ao PCC e ampliando seu alcance internacional por meio de criptomoedas e companhias no exterior.


Além da Victory Trading, os EUA também sancionaram a Pixwave Soluções de Pagamentos, a secretária Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e a empresa portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal. Segundo autoridades americanas, Shimada teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos, atuando como elo entre integrantes do PCC nos Estados Unidos e traficantes internacionais.


O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), relator da CPMI do INSS, afirmou que as sanções reforçam os alertas feitos em seu relatório. Ele destacou que empresas como a Victory Trading e a Pixwave já haviam sido citadas nos documentos da comissão, mas que houve resistência política à prorrogação das investigações.


O caso expõe não apenas a ligação entre fraudes previdenciárias e o crime organizado, mas também a dimensão internacional das operações financeiras do PCC. Para os EUA, o bloqueio de bens e a proibição de transações com empresas ligadas à facção representam um endurecimento da postura contra o crime organizado transnacional.



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