Galípolo minimiza visitas de Vorcaro ao Banco Central
- Luana Valente

- 20 de mai.
- 2 min de leitura
Presidente da autoridade monetária afirma em audiência no Senado que encontros frequentes são “comuns” em casos de instituições sob pressão financeira

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, classificou como “comuns” as visitas realizadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, à sede da instituição. Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo explicou que reuniões frequentes com dirigentes de bancos em dificuldades fazem parte da rotina da autoridade monetária, especialmente em momentos de crise de liquidez.
Segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação, Vorcaro esteve no Banco Central 24 vezes durante a gestão de Roberto Campos Neto, somando quase 22 horas de encontros. O senador Renan Calheiros (MDB-AL) destacou os números durante a sessão e questionou a proximidade entre o banqueiro e a autarquia. Galípolo respondeu que, em situações de estresse financeiro, o BC busca preservar instituições antes de recorrer à liquidação, mas ressaltou que, no caso do Master, “não havia o que proteger”.
O presidente do BC também foi questionado sobre uma reunião realizada em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto, da qual participaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e Vorcaro. Na ocasião, o banqueiro alegou estar sendo perseguido pelo mercado. Lula teria orientado Galípolo a dar um “tratamento técnico” ao caso, reforçando a autonomia da instituição.
A audiência foi marcada por embates entre Galípolo e Renan Calheiros. O senador afirmou que o presidente do BC teria considerado correta a venda do Master ao BRB, mas Galípolo negou e ironizou: “Seria preciso não ter TV a cabo ou acesso à internet para acreditar que o Banco Central tentou viabilizar essa operação”.
O Banco Master foi liquidado em outubro de 2025 após enfrentar graves problemas de liquidez e suspeitas de fraude, tornando-se um dos maiores escândalos financeiros recentes. O episódio segue repercutindo no meio político e econômico, com questionamentos sobre a atuação da autoridade monetária e a relação de seus dirigentes com o setor privado.




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