Efeito Lula: Governo gasta R$ 350 milhões em navios para hospedagem na COP30
- Luana Valente

- 22 de abr.
- 2 min de leitura
Casa Civil afirma que medida foi necessária diante do déficit hoteleiro em Belém; oposição critica uso dos recursos e questiona prioridades

Durante a Conferência do Clima da ONU (COP30), realizada em novembro de 2025 em Belém (PA), o governo federal desembolsou R$ 350,2 milhões para o aluguel de navios de cruzeiro que funcionaram como hotéis flutuantes. A decisão foi tomada pela Casa Civil, que justificou a medida como indispensável diante da insuficiência da rede hoteleira da capital paraense para receber milhares de delegados e participantes internacionais.
Os contratos foram firmados com as empresas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros, por meio da agência Qualitours, pertencente ao grupo BeFly. O processo foi intermediado pela Embratur e analisado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que considerou a contratação regular.
A iniciativa, no entanto, gerou forte repercussão política. Parlamentares da oposição classificaram o gasto como “surreal” e argumentaram que os recursos poderiam ter sido destinados a áreas prioritárias, como saúde. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que o valor seria suficiente para construir cerca de 40 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criticou a medida como exemplo de má gestão.
Em defesa, o governo sustentou que a solução foi emergencial e necessária para garantir o cumprimento do acordo internacional que trouxe a COP30 para o Brasil, sem comprometer a demanda habitual de hospedagem em Belém.
“Instada, a Secop esclareceu que a utilização de navios como hotéis flutuantes durante a COP30 decorreu da análise de possíveis soluções para o incremento de unidades habitacionais e leitos e de um conjunto de soluções necessárias e complementares para o problema de hospedagem, a fim de suprir o déficit de unidades hoteleiras e atingir, mediante sua efetivação, o número de leitos necessários para satisfazer às necessidades diretas e indiretas da mencionada conferência, sem prejuízo das necessidades ordinárias de Belém e região metropolitana”, informou o governo.
Conexão com o Master
A Qualitours, empresa de Marcelo Cohen, está ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro por meio do hotel de luxo Botanique, em Campos do Jordão (SP). Cohen já declarou ser dono do empreendimento, enquanto Vorcaro afirma que o hotel pertence à Prime You, companhia responsável também por aeronaves usadas pelo banqueiro.
A conexão entre os dois vai além do Botanique. A Qualitours integra a BeFly, holding criada por Cohen em 2021 com recursos de fundos associados ao Banco Master. Reportagem da Folha de S. Paulo revelou que Cohen utilizou aportes de fundos como “B10” e “TT” para adquirir empresas como Flytour e Queensberry. Um relatório de inteligência financeira apontou ainda uma transação em espécie de R$ 6 milhões, em novembro de 2024, entre o Master e uma empresa de Cohen.
A Embratur, por sua vez, informou que a escolha da Qualitours ocorreu via chamamento público, com a apresentação de toda a documentação exigida. A agência destacou que o Banco Master não participou da contratação dos navios, cuja garantia financeira foi dada pelo BTG Pactual, por meio de carta fiança.




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