Lula nega ser “esquerdista” em áudio vazado no G7
- Luana Valente

- 17 de jun.
- 2 min de leitura
Presidente brasileiro afirma a líderes internacionais que sempre buscou o “caminho do meio” e fala trajetória sindical

Durante a cúpula do G7 realizada em Évian-les-Bains, na França, um áudio vazado trouxe à tona declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que rapidamente ganharam repercussão. Em diálogo com a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, e o chanceler alemão Friedrich Merz, Lula afirmou que sua trajetória política não se enquadra naquilo que tradicionalmente se entende como esquerda.
“Mas eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação com a UGT, da Espanha”, afirmou.
A fala foi registrada em um momento em que Georgieva relembrou a expectativa internacional de que Lula governasse como um líder de esquerda em 2002. O presidente rebateu dizendo que sua atuação sempre esteve ligada ao sindicalismo e às alianças construídas com entidades trabalhistas europeias, reforçando a ideia de que buscou o “caminho do meio” em sua trajetória.
Na sequência, Lula comentou sobre episódios da década de 1980, quando foi convidado a visitar a Rússia, então União Soviética, mas recusou a viagem. Segundo ele, à época era considerado “anticomunista”, o que reforça a narrativa de que sua postura política não se alinhava ao bloco soviético.
O episódio ganhou destaque porque ocorre em meio ao período pré-eleitoral de 2026, em que Lula tenta consolidar sua imagem como líder moderado, repetindo a estratégia de frente ampla que o levou à vitória em 2022. A declaração é vista por analistas como um movimento para atrair eleitores de centro em um cenário marcado pela polarização.
Internacionalmente, a fala foi interpretada como um gesto de aproximação com autoridades que não se identificam com a esquerda. No Brasil opositores acusam Lula de negar a história do Partido dos Trabalhadores.




Comentários