Mantega articulou encontro de Lula com banqueiro que lhe pagava R$ 1 milhão por mês
- Luana Valente

- 30 de jan.
- 2 min de leitura
Ex-ministro esteve cinco vezes no Planalto antes de levar Daniel Vorcaro ao gabinete presidencial

O escândalo envolvendo o Banco Master expôs uma rede de articulações políticas e financeiras que conecta diretamente o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo apurações, Mantega foi responsável por organizar a reunião entre Lula e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, realizada em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto. O encontro, que durou cerca de uma hora e meia, não constou na agenda oficial da Presidência e contou também com a presença de ministros e assessores próximos ao governo.
Antes de levar Vorcaro ao gabinete presidencial, Mantega esteve pelo menos cinco vezes no Planalto, em visitas que prepararam o terreno para a reunião. À época, o ex-ministro recebia cerca de R$ 1 milhão mensais do Banco Master em contratos de consultoria. Sua principal atribuição era atuar nas negociações para a venda da instituição ao BRB, banco público do Distrito Federal, operação que interessava ao governo.
O caso ganhou repercussão nacional após revelações de que o encontro entre Lula e Vorcaro foi omitido das agendas oficiais. A ausência de registro levantou questionamentos sobre a transparência das relações entre o governo e o setor financeiro. Além de Mantega e Vorcaro, participaram da reunião figuras como Rui Costa, ministro da Casa Civil, Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, e Gabriel Galípolo, que dias depois assumiria a presidência do Banco Central.
As revelações ampliaram a crise política em torno do Banco Master, já que os contratos milionários e a proximidade entre Lula e Vorcaro passaram a ser vistos como indícios de favorecimento. Em declarações públicas, Lula reagiu às críticas afirmando que “falta vergonha na cara” de quem defende o banqueiro, mas a pressão sobre o governo aumentou com a divulgação dos pagamentos feitos a Mantega.
A atuação como intermediário entre Vorcaro e Lula, somada ao contrato milionário de consultoria, coloca em evidência os vínculos entre poder público e interesses privados, em um momento de intensa cobrança por transparência e ética na gestão federal.




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