Nikolas Ferreira compara tratamento dado a Lula na prisão com decisão de Moraes sobre Bolsonaro
- Luana Valente

- 14 de jul.
- 2 min de leitura
Deputado critica restrição de visitas a Jair Bolsonaro e aponta suposta desigualdade em relação ao período em que Lula esteve preso em Curitiba

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal após a decisão do ministro Alexandre de Moraes que suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai, Jair Bolsonaro. Para o parlamentar, a medida reforça o isolamento do ex-presidente e contrasta com o cenário vivido por Luiz Inácio Lula da Silva durante sua prisão na sede da Polícia Federal em Curitiba, em 2018.
Segundo Nikolas, a decisão de Moraes tem impacto direto no processo eleitoral: “Alexandre Moraes acaba de tomar uma decisão dizendo que o Flávio não pode visitar Jair Bolsonaro por 90 dias. Ou seja, coincidência ou não, o Flávio vai ficar sem conversar com o seu pai, o maior líder da direita, até o final do primeiro turno”, afirmou. O deputado argumenta que, enquanto Bolsonaro permanece incomunicável, Lula manteve intensa atividade política mesmo atrás das grades. “Com cela aberta e reuniões diárias, a campanha de Lula é desenhada na prisão. Em três meses, o Lula recebeu 572 visitas lá na cadeia. Tem entrevista, tanto pra imprensa local quanto também internacional”, disse.
Nikolas também relembrou episódios da campanha de 2018, quando o ex-presidente petista, mesmo preso, conseguiu se manifestar por meio de cartas lidas por porta-vozes. “Durante a campanha eleitoral de 2018, enquanto o Lula tava preso, veio um porta-voz ler uma carta do Lula. E agora o Moraes vem acionar o Ministério Público Eleitoral pra poder investigar falando que houve propaganda antecipada na divulgação da carta de Bolsonaro”, pontuou.
A decisão de Moraes foi tomada após Flávio Bolsonaro divulgar uma carta escrita pelo pai em apoio à sua pré-candidatura, o que, segundo o ministro, configuraria propaganda eleitoral antecipada. O caso reacendeu o debate sobre a atuação do Judiciário em períodos eleitorais e sobre a equidade de tratamento entre líderes políticos em situações semelhantes. Para Nikolas, a medida representa uma tentativa de neutralizar Bolsonaro no cenário político: “Tiraram o nosso melhor jogador do campo”, concluiu.
O episódio evidencia a disputa narrativa entre aliados de Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal, colocando em pauta os limites da comunicação de líderes presos e o impacto dessas restrições no processo democrático.




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