Nikolas Ferreira reage a críticas de padre em Aparecida
- Luana Valente

- 2 de fev.
- 3 min de leitura
Deputado afirma que religioso carece de “intelecto ou Bíblia” após sermão contra sua marcha

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) respondeu neste fim de semana às críticas feitas pelo padre Ferdinando Mancilio, durante uma missa no Santuário Nacional de Aparecida (SP). O religioso, sem citar diretamente o parlamentar, criticou a “Caminhada pela Liberdade” promovida por Nikolas, que percorreu mais de 200 km entre Paracatu (MG) e Brasília (DF) em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em sua homilia, o padre afirmou que atos como o realizado pelo deputado não representam defesa da vida, mas sim busca por poder. “Não adianta querer fazer uma marcha para Brasília alguém que nunca teve nenhum projeto a favor do povo e dizer que está defendendo a vida. Mentira! Quer o poder!”, declarou o sacerdote, em trecho que viralizou nas redes sociais.
A fala repercutiu fortemente entre apoiadores e críticos do parlamentar. Em resposta, Nikolas afirmou que o sermão não apresentou argumentos sólidos contra sua iniciativa. “Não sobrou absolutamente nada para poder atacar a caminhada”, disse o deputado, acrescentando que ao padre “ou lhe falta intelecto, ou Bíblia”.
“‘Ai, Nikolas, comenta sobre o padre que disse que a sua caminhada não valeu de nada porque você defende a morte e defende armas’. Galera, sendo bem sincero, se você não consegue contra-argumentar isso no mesmo instante [em] que você viu esse vídeo, o problema nem está com esse padre, esse problema está com você”, ressaltou ainda o deputado.
“Afinal de contas, ou lhe falta intelecto, ou Bíblia, ou os dois, né? Porque a arma não é o mal. O mal é quem utiliza. Ou você não lembra quando Caim ou Abel com uma ponto 40, ou quando Davi matou Golias com metralhadora? Ou seja, qualquer objeto pode ser utilizado para o mal. É claro que a arma, ela potencializa isso, mas, ao mesmo tempo que ela pode matar o inocente, ela pode proteger o inocente, como um policial militar faz, ou até mesmo proteger, sei lá, o papa. Ou você acredita que quem defende o papa e seus seguranças utilizam o quê? A Bíblia? Claro que não”, segue o deputado no vídeo, dizendo:
“Ou seja, não sobrou absolutamente nada para poder atacar a caminhada. Eles se indignam com um deputado caminhando de forma ordeira, pacífica, mas eu nunca vi essas mesmas pessoas que dizem que nós estamos politizando a fé, agora, falar a respeito do crime organizado do nosso país e dizer sobre, sim, as armas que matam inocentes nas mãos de criminosos, ou até mesmo acusar o presidente da República, que recebeu um narcotraficante, Nicolás Maduro, aqui no nosso país, que literalmente passava tanques de guerra em cima das pessoas.
Ou esses mesmos padres e pastores progressistas, com teologia inclusiva, que inclui até o Satanás, falar e criticar, ficar incomodados a respeito de Daniel Ortega, que está na Nicarágua e perseguindo também, principalmente padres e freiras. Ou seja, e não sobrou absolutamente nada. Na verdade, sobrou uma reflexão para a gente. Charles Spurgeon diz o seguinte: ‘Só os tolos acreditam que política e religião não se discutem. Por isso, os ladrões permanecem no poder e os falsos profetas continuam ao pregar’.”
A “Caminhada por Justiça e Liberdade” foi organizada por Nikolas como forma de protesto e mobilização política em defesa de Bolsonaro, reunindo apoiadores ao longo do trajeto. O evento buscou reforçar a narrativa de perseguição ao ex-presidente e mobilizar a base conservadora.
A polêmica expõe novamente a tensão entre setores da Igreja Católica e políticos ligados ao bolsonarismo. Enquanto parte do clero critica a associação entre fé e pautas como o armamento da população, parlamentares conservadores acusam religiosos de se posicionarem politicamente contra suas iniciativas.
O episódio em Aparecida ganhou destaque nacional por ocorrer em um dos principais símbolos da religiosidade brasileira. A missa, transmitida e compartilhada em redes sociais, ampliou o alcance da crítica e da resposta de Nikolas, que rapidamente se tornaram assunto entre apoiadores e opositores.




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