Nova fase da Operação Carbono Oculto mira empresários, PCC e laranjas
- Luana Valente

- 28 de mai.
- 2 min de leitura
Investigação revela esquema de adulteração de combustíveis, fraudes tributárias e lavagem de dinheiro com uso de fintechs e empresas de fachada

A nova etapa da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), mobilizou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal em quatro estados brasileiros. Foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, com foco em empresários do setor de combustíveis, operadores financeiros e laranjas ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações apontam que o grupo criminoso utilizava nafta petroquímica desviada para adulterar gasolina, além de movimentar milhões de reais por meio de fintechs que funcionavam como bancos paralelos da facção. O esquema também envolvia fraudes tributárias e a criação de empresas de fachada para simular transações comerciais legítimas. Para ocultar os verdadeiros responsáveis, eram usados laranjas, incluindo parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade e até presos.
Segundo os investigadores, os empresários e operadores logísticos atuavam em conjunto com o PCC para integrar postos de combustíveis em uma única estrutura financeira, dificultando o rastreamento das operações. A cada fase da operação, novas fintechs eram abertas para substituir negócios já expostos, numa tentativa de manter a circulação de recursos ilícitos. Alterações societárias frequentes também eram utilizadas como estratégia de blindagem patrimonial.
Batizada de Fluxo Oculto, esta fase da operação reforça a sofisticação da rede criminosa e evidencia a persistência do PCC em diversificar suas fontes de renda e ocultar movimentações financeiras. O Ministério Público e a Receita Federal buscam agora aprofundar provas sobre a rede paralela de empresas e contas digitais que sustentam o esquema, ampliando o cerco contra empresários e operadores que dão suporte à facção.



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