Operação do ICMBio na Terra do Meio gera tensão e denúncias de abusos
- Luana Valente

- 24 de jun.
- 2 min de leitura
Produtor rural Pedro Coco, de 68 anos, passou mal ao saber da apreensão de seu rebanho; moradores acusam governo de “sequestro de gado” enquanto órgão defende combate ao desmatamento

Pedro Ferreira Lima, conhecido como Pedro Coco, produtor rural de 68 anos que vive na região da Terra do Meio, entre Altamira e São Félix do Xingu, tornou-se personagem central de um episódio que expôs o conflito entre órgãos ambientais e comunidades locais na Amazônia. Ao tomar conhecimento de que sua propriedade havia se tornado alvo de uma operação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o idoso passou mal.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram caminhões carregados com parte de seu rebanho, prestes a ser levado pelo órgão. A cena rapidamente se transformou em resistência: produtores e moradores abriram os veículos e devolveram os animais ao pasto, impedindo a remoção. Para os trabalhadores, a ação não foi uma simples fiscalização, mas um verdadeiro “sequestro de gado” promovido pelo governo federal.
O ICMBio sustenta que a medida integra uma ofensiva contra a pecuária em áreas embargadas, parte de uma estratégia para conter o desmatamento e impedir a exploração econômica em regiões sob restrição ambiental. Já os produtores denunciam abusos, afirmam que não houve diálogo e acusam o governo Lula de criminalizar famílias que dependem do gado para sobreviver.
Segundo relatos, cerca de 11 carretas com mais de 400 animais foram conduzidas para apreensão. O advogado Vinícius Borba, representante legal de Pedro Coco, afirmou em entrevista ao programa ALive que a operação pode ter gerado um problema sanitário, além de prejuízos ao pequeno produtor. Ele destacou que, após o cancelamento do cadastro ambiental pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará, supostamente motivado por “pressão do ICMBio”, o produtor não conseguia adquirir vacinas contra doenças como fitose e celose para proteger o rebanho.
Borba levantou ainda a hipótese de que parte da carne dos animais apreendidos poderia ter chegado a frigoríficos sem controle sanitário adequado, o que representaria risco à saúde pública. “Aquele caminhão, que de forma irresponsável foi colocado aquele gado, que não tinha controle sanitário, ele se tornou um vetor de suposta contaminação de outros animais”, disse.
Documentos de Guia de Trânsito Animal (GTA) indicariam a destinação do gado para prefeituras locais e apontariam a JBS como responsável pelo abate. A empresa, no entanto, negou ter recebido o rebanho. A GTA é o documento oficial e obrigatório no Brasil para autorizar o transporte de animais, reunindo informações sobre origem, destino, vacinação e finalidade, como engorda ou abate.
O caso de Pedro Coco expõe a tensão crescente entre políticas ambientais e a subsistência de comunidades rurais na Amazônia. Enquanto o governo defende medidas rigorosas para conter o avanço da pecuária em áreas protegidas, produtores denunciam falta de diálogo e impactos diretos em suas vidas.




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