PF identifica menção a Jaques Wagner em mensagens de banqueiro investigado
- Luana Valente

- 22 de jun.
- 2 min de leitura
Conversas apreendidas no celular de Daniel Vorcaro sugerem tentativa de aproximação com o presidente Lula por meio do líder do governo no Senado; Wagner nega qualquer relação e afirma não poder ser responsabilizado por diálogos de terceiros

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, citou o senador Jaques Wagner (PT-BA) como possível intermediário para levar recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O conteúdo foi encontrado em conversas de julho de 2024 entre Vorcaro e Fernando Mascarenhas Filho, diretor comercial da instituição.
No diálogo, Mascarenhas comemorava a percepção de que o banco estaria próximo ao governo federal, comparando a situação à dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F. Vorcaro respondeu que isso seria “marketing” e pediu que a informação fosse repassada a “Lula e à base aliada”. Mascarenhas então mencionou que encaminharia a “tio Guiga e Jaques”, referência, segundo a PF, ao publicitário baiano Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner.
“Identificou-se no aparelho celular de DANIEL BUENO VORCARO conversa com o contato ‘Fernando Master’ referente a FERNANDO DE GOES MASCARENHAS FILHO, Diretor Comercial do Banco Master, em que este afirma existir proximidade entre o banco e o Governo Federal: ‘Única coisa que falaram que somos proximos do governo, igual irmaos batista sao. O que é verdade rsrs’. Em seguida, afirmou tratar-se de ‘mkt pra nos’ e sugeriu encaminhar o material ao Presidente Lula e à base aliada. O interlocutor então replicou: ‘vou mandar então pra tio guiga e Jaques’ – referência direta a GUILHERME SODRÉ MARTINS e ao Senador JAQUES WAGNER”, afirma o relatório dos investigadores.
A investigação aponta que Wagner já havia sido alvo de busca e apreensão em fases anteriores da operação, sob suspeita de ter recebido vantagens indevidas, incluindo a compra de um apartamento de R$ 2,4 milhões e pagamentos de R$ 3,5 milhões a uma empresa ligada a familiares. A PF avalia que as mensagens reforçam indícios de proximidade entre o Banco Master e figuras do governo.
“Reitero que não tenho nenhuma relação com o senhor Daniel Vorcaro e não posso ser responsabilizado por conversas de terceiros, das quais não participei”. Wagner também afirmou que “não existiu intermediação e não existe relação”, nega o senador por meio de nota.
O episódio amplia a pressão política sobre o líder do governo no Senado e expõe a tentativa de empresários de se aproximarem do núcleo do poder. A continuidade das apurações da Operação Compliance Zero será decisiva para esclarecer se houve de fato influência política ou se as mensagens refletem apenas iniciativas isoladas de interlocutores do setor financeiro.




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