PF investiga fraude milionária no INSS da Bahia envolvendo comunidades indígenas
- Luana Valente

- 10 de jul.
- 2 min de leitura
Operação Monã apura esquema que teria desviado mais de R$ 100 milhões por meio de declarações falsas de pertencimento a povos tradicionais

A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Monã, que apura um esquema de fraudes na concessão de benefícios previdenciários em cidades do sul da Bahia. De acordo com as investigações, o grupo criminoso emitia declarações falsas de pertencimento a comunidades indígenas para garantir aposentadorias rurais, salários-maternidade e outros benefícios do INSS.
A ação, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em Eunápolis e Porto Seguro. A Justiça também determinou o bloqueio de valores, sequestro de bens e afastamento de servidores públicos suspeitos de participação no esquema.
Segundo a PF, o prejuízo aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 100 milhões. Além da concessão irregular de benefícios, os investigados teriam atuado na contratação de empréstimos consignados vinculados às fraudes. Foram bloqueados cerca de R$ 1,5 milhão em contas bancárias dos principais suspeitos, além da apreensão de veículos de luxo.
As cidades alvo da operação concentram mais de 23 mil indígenas das etnias Pataxó e Tupinambá, entre outras. O uso indevido de declarações falsas não apenas desviou recursos, mas também comprometeu a credibilidade de políticas voltadas a populações historicamente vulneráveis.
Os investigados poderão responder por associação criminosa, estelionato previdenciário e corrupção ativa e passiva. A operação reforça a preocupação das autoridades com esquemas que exploram brechas no sistema previdenciário, em um contexto de sucessivas descobertas de fraudes bilionárias em benefícios e mensalidades associativas.
Com a Operação Monã, a PF busca não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também proteger comunidades indígenas e garantir que os recursos públicos sejam destinados a quem realmente tem direito.




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