Senadores pedem prisão domiciliar humanitária para Bolsonaro
- Luana Valente

- 8 de jan.
- 2 min de leitura
Parlamentares alegam agravamento do estado de saúde do ex-presidente e apelam ao STF por medida excepcional

Um grupo de ao menos 20 senadores protocolou nesta semana um pedido dirigido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a concessão de prisão domiciliar humanitária ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento, assinado por nomes como Jorge Seif (PL-SC), Tereza Cristina (PP-MS), Wilder Morais (PL-GO) e Magno Malta (PL-ES), sustenta que as condições de saúde do ex-presidente são “graves, complexas e agravadas” e incompatíveis com a manutenção da custódia na sede da Polícia Federal, em Brasília.
Segundo os parlamentares, Bolsonaro apresenta múltiplas enfermidades de natureza cardiovascular, digestiva, renal, respiratória e metabólica, algumas delas associadas às sequelas permanentes do atentado sofrido em 2018. Além disso, o ex-presidente teria sofrido recentemente um acidente dentro da cela, episódio que, de acordo com os senadores, colocou sua vida em risco real. “Se o Estado não consegue garantir a integridade física do presidente Jair Bolsonaro, ele não tem o direito de mantê-lo sob esse regime”, escreveu o senador Jorge Seif no abaixo-assinado.
O pedido ressalta que não se trata de clemência, mas de isonomia. Os parlamentares lembram que o Supremo já concedeu prisão domiciliar em casos semelhantes, e que negar o mesmo direito a Bolsonaro poderia configurar perseguição pessoal. O texto afirma ainda que a manutenção da custódia representa risco concreto à vida do ex-presidente, exigindo monitoramento médico contínuo que não estaria sendo garantido no atual regime.
A iniciativa ocorre em meio a debates sobre o tratamento dado a Bolsonaro desde sua prisão em novembro de 2025. Líderes do Partido Liberal também encaminharam ofícios ao STF pedindo a revisão da medida, citando o agravamento das condições clínicas e a necessidade de preservar sua integridade física. O movimento reforça a pressão política sobre o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos envolvendo o ex-presidente, e abre espaço para discussões sobre precedentes jurídicos e o equilíbrio entre punição e garantias humanitárias.
Ainda não há decisão do Supremo sobre o pedido. Caso seja aceito, Bolsonaro poderia cumprir a pena em regime domiciliar e sob estrições impostas pela Justiça.




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